O mecanismo celular e o cancro: nova descoberta

Estudo publicado na revista “Science”

13 novembro 2014
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Uma equipa de investigadores conseguiu descobrir um dos processos fundamentais subjacentes à biologia celular.
 

A vida está assente sobre a possibilidade de as células se multiplicarem, sendo que, uma parte essencial do processo de multiplicação é a cópia de cromossomas, que transportam no ADN a informação genética do indivíduo. Esta informação deve ser copiada na perfeição para que as células sobrevivam e desempenhem a sua função.
 

Quando se dão erros no processo de cópia de cromossomas, são criadas células anormais, podendo levar ao desenvolvimento do cancro.
 

Uma equipa de cientistas da Universidade de Dundee, na Escócia, liderada por Karim Labib, conseguiu descrever pela primeira vez uma parte fundamental deste processo.

S

egundo o autor principal do estudo, o “processo através do qual as células copiam os cromossomas tem vindo a fascinar os biólogos desde que Watson e Crick descreveram pela primeira vez a estrutura do ADN; no entanto, ainda estamos longe de saber como funciona na totalidade”.
 

A equipa centralizou o seu estudo na fase em que as células terminam a cópia dos seus cromossomas. Segundo os cientistas, esta fase é vital para que a informação genética seja passada para a geração seguinte. “Já sabíamos que se combinam 11 proteínas para construir uma “máquina” molecular denominada de ADN helicase, que desempenha um papel fundamental na cópia da dupla hélice de ADN que se encontra no interior de cada cromossoma”.
 

A ADN helicase desenrola a dupla hélice de ADN para que esta possa ser copiada. Segundo o autor do estudo, é fundamental que a helicase seja construída apenas uma vez durante a vida de cada célula e que se desintegre após concluir a sua função, para que as células produzam apenas uma cópia de cada cromossoma.
 

Os cientistas não sabiam como se desintegrava a helicase. “Descobrimos que ocorre uma transformação de um dos 11 componentes da helicase, um processo denominado ubiquitilação, que o faz separar-se da “máquina” após o cromossoma ter sido copiado. A perda de um componente da helicase faz com que as outras proteínas não se consigam manter unidas e a ADN helicase desintegra-se”.
 

A equipa considera este fenómeno muito positivo já que existem estudos genéticos que demonstraram que se a helicase se mantiver colada aos cromossomas poderão provocar graves problemas.
 

Karim Labib afirma que “quase em todos os casos de desenvolvimento de cancro, um dos aspetos que corre mal numa fase inicial do processo é o facto de a maquinaria de cópia de cromossomas não ter funcionado corretamente”.
 

O investigador lembra, a propósito, que um dos objetivos da pesquisa do cancro é entender a biologia por trás do que corre mal nas células cancerígenas, para que se possa investigar melhores formas de exterminar as células cancerígenas sem danificar as células saudáveis.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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