O lado positivo das alergias sazonais

Estudo publicado na “Nature”

02 maio 2012
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As alergias sazonais podem afinal significar que o sistema imunitário está a desempenhar bem as suas funções, ou seja, que está a proteger contras as toxinas ambientais que são mais nocivas para a saúde do que os pólenes ou outros alergénios, dá conta um estudo publicado na “Nature”.

 

O sistema imunitário está equipado com alguns tipos de resposta para combater os agentes patogénicos ou substâncias consideradas estranhas. Assim, existe a imunidade do tipo 1 que está envolvida na destruição dos agentes patogénicos que infetam as células do hospedeiro, e a imunidade do tipo 2 que protege o organismo de substâncias ambientais e que ativam um tipo de células do sistema imune, os linfócitos T, assim como conduzem à produção de anticorpos.

 

Contudo, por vezes a resposta imune do tipo 2 pode ser sobreativada quando despoletada por antigénios ambientais, ou seja, substâncias que ativam o sistema imunitário, como é o caso do pólen, mas que não são considerados patogénios. Nas pessoas que sofrem, nomeadamente, da febre dos fenos, o contacto com os pólene leva à uma produção exagerada de histamina por parte do organismo, o que conduz à congestão nasal, tosse, espirros e a todos os outros desagradáveis sintomas sentidos na primavera, verão e mesmo no outono.

 

Apesar de tudo os investigadores da Yale School of Medicine e da Howard Hughes Medical Institute, nos EUA, argumentam que esta imunidade é benéfica para as pessoas e foi desenvolvida para proteger o organismo de quatro tipos de desafios ambientais: os irritantes ambientais, as substâncias nocivas, os parasitas e os venenos produzidos pelos animais.

 

Mas se a imunidade do tipo 2 evoluiu ao longo de milhares de anos para proteger o organismo, por que motivo as pessoas produzem este tipo de reações perante quantidades tão pequenas de alergénios quando os seus níveis são inofensivos? O líder do estudo, Ruslan Medzhitov, explicou que “a hipersensibilidade aos alergénios evolui para detetar a presença de substâncias nocivas. Após a primeira exposição ao alergénio, o sistema imunitário adquire memória e, nos contactos subsequentes, mesmo em quantidades ínfimas, a mesma substância vai induzir uma resposta que ajuda a minimizar os efeitos prejudiciais”.

 

O investigador explicou ainda que a sobreativação deste tipo de resposta faz com que as pessoas evitem ambientes que contenham substâncias nocivas. O investigador conclui que “de acordo com esta perspetiva, a hipersensibilidade aos alergénios evita que as pessoas permaneçam em locais prejudiciais para a saúde”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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