O lado benéfico da ansiedade

Estudo publicado na revista “eLife”

05 janeiro 2016
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Os distúrbios de ansiedade envolvem uma preocupação excessiva e irrealista com tarefas ou eventos diários podendo interferir com as atividades diárias, emprego e relacionamentos. Contudo, um novo estudo publicado na revista “eLife” sugere que os indivíduos ansiosos estão melhor preparados para lidar com o perigo.
 

O estudo realizado pelos investigadores do Instituto Francês de Saúde e Investigação Médica (INSERM, sigla em francês) poderá ajudar a explicar o sexto sentido que se tem pelo perigo. Esta é a primeira vez que foram identificadas regiões específicas do cérebro que estão envolvidas neste fenómeno. De acordo com os investigadores, o cérebro humano é capaz de detetar ameaças sociais nestas regiões de uma forma rápida e automática, em cerca de apenas 200 milissegundos.
 

O estudo apurou ainda que os indivíduos ansiosos detetam as ameaças numa região do cérebro distinta daqueles que são mais descontraídos. Pensava-se que a ansiedade poderia conduzir à hipersensibilidade dos sinais de ameaça. Contudo, este estudo demonstra que esta diferença tem um propósito útil. As pessoas ansiosas processam as ameaças utilizando regiões do cérebro responsáveis pela ação. Por outro lado, os indivíduos menos ansiosos processam as ameaças nos circuitos sensoriais, responsáveis pelo reconhecimento facial.
 

As expressões faciais da emoção podem ser ambíguas, no entanto os investigadores conseguiram identificar o que faz uma pessoa ter uma aspeto ameaçador. Foi descoberto que a direção em que a pessoa está a olhar é a chave para aumentar a sensibilidade às suas emoções. Um olhar de raiva direto produz uma resposta no cérebro em apenas 200 milissegundos, mais rápido do que se a pessoa com raiva estiver a olhar para outro local.
 

Da mesma forma, se uma pessoa demonstra medo e olha numa direção específica isto irá ser detetado mais rapidamente, do que as emoções positivas. Estas reações rápidas podem ter como finalidade a sobrevivência. Na verdade, o ser humano evoluí conjuntamente com os predadores que podem atacar, morder ou picar. Uma reação rápida para alguém com medo pode ajudar a evitar o perigo.
 

Tem sido sugerido que os níveis elevados de ansiedade, mesmo que numa gama não-clínica, poderiam prejudicar o processamento do cérebro das ameaças. No entanto, este estudo apurou que a ansiedade não-clínica desloca o código neuronal da ameaça para os circuitos motores, que produzem ação, a partir de circuitos sensoriais, que ajudam a reconhecer rostos. Os investigadores referem que seria interessante averiguar se o mesmo acontece para os indivíduos com níveis de ansiedade clínica.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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