O impacto do estilo de vida nas bactérias intestinais

Estudo publicado na revista “Science”

05 maio 2016
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Tudo o que se come ou se bebe afeta a flora intestinal e é provável que tenha impacto na saúde, conclui um estudo publicado na revista “Science”.
 

Para o estudo os investigadores da Universidade de Groningen, na Holanda, colheram amostras de fezes de mais de mil indivíduos. Estas amostras foram utilizadas para analisar o ADN das bactérias e outros organismos que habitam os intestinos. Adicionalmente, foi também recolhida informação sobre a dieta, toma de medicamentos e saúde dos participantes.
 

Através da análise do ADN foi possível avaliar os fatores que têm impacto na diversidade do microbioma. O microbioma intestinal consiste em dezenas de triliões de microrganismos, incluindo pelo menos mil espécies de bactérias, e pode pesar até cerca de 2 kg. Apesar de cerca de um terço do microbioma ser comum à maioria das pessoas, cerca de dois terços é específico para cada indivíduo.
 

O estudo, liderado por Cisca Wijmenga, apurou que os indivíduos que habitualmente consomem iogurtes ou leitelho têm uma grande diversidade de bactérias intestinais. Adicionalmente, verificou-se que a ingestão de café ou vinho também aumenta a diversidade, enquanto o leite gordo ou uma dieta com elevado teor calórico tem um efeito oposto.
 

Os investigadores identificaram 60 fatores que influenciam a diversidade bacteriana intestinal. Alexandra Zhernakova, uma das autoras do estudo, refere que apesar de ainda não saberem o que isto significa, há uma grande correlação entre a diversidade e saúde, ou seja, quanto maior é a diversidade melhor.
 

Para além da dieta, pelo menos 19 tipos de medicamentos diferentes, alguns dos quais muito utilizados, têm também impacto na diversidade do microbioma. Um estudo anterior levado a cabo pela mesma equipa de investigadores concluiu que os antiácidos diminuíam a diversidade e que os antibióticos, bem como a metaformina utilizada no tratamento da diabetes, também também afetavam o microbioma.
 

Na opinião de Cisca Wijmenga, estes resultados são importantes uma vez que a doença é resultante de muitos fatores, muitos dos quais, como os genes ou idade, não são modificáveis. No entanto, é possível alterar a diversidade do microbioma através da adaptação da dieta ou medicação. “Quando percebemos como isto funciona, abrem-se novas possibilidades”, concluiu a investigadora.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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