O gene do vício de fumar

Investigadores descobrem porque razão é mais difícil para uns que para outros

18 novembro 2002
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Os portadores de um gene particular parecem enfrentar mais dificuldades em deixar de fumar. Um estudo efectuado por Caryn Lerman, da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, verificou que os indivíduos – portadores de um determinado gene em particular - relatam um aumento no desejo de fumar quando tentam deixar o vício.
 

 

Embora a investigação seja pouco conclusiva, Lerman, em entrevista à Reuters, afirmou que, se os resultados forem reproduzidos em novos estudos, as informações poderiam ser usadas para ajudar os fumadores a abandonar o hábito de um modo definitivo. «Caso seja validada, esta variante genética poderia ser usada para identificar fumadores mais propensos a recaídas e que, por isso, necessitariam de mais tempo de tratamento», recomendou a investigadora.
 

 

Lerman lembrou ainda que uma avaliação de fumadores destinada a identificar o grupo susceptível a enfrentar mais dificuldades, provavelmente envolveria a análise de mais de um gene, em conjunto com os outros genes e dos factores ambientais.
 

 

A investigadora avisou, no entanto, que para obter os benefícios directos destes estudos, os fumadores ainda terão de esperar alguns anos.
 

 

No estudo, a equipa acompanhou 426 fumadores que tentavam «largar» o vício. Todos os voluntários fumavam, no mínimo, dez cigarros por dia. Durante dez semanas, receberam bupropiona, um antidepressivo usado como auxiliar no combate ao tabagismo, ou placebo (substância inócua).
 

 

Também participaram em sete sessões de terapia de grupo. E todos foram informados de que deveriam parar de fumar duas semanas antes do início da medicação.
 

 

Os investigadores retiraram amostras de sangue dos fumadores e avaliaram o tipo de gene - CYP2B6 - presente. O CYP2B6 codifica uma enzima que, segundo explica o estudo, interfere no metabolismo cerebral da nicotina.
 

 

A equipa verificou que os portadores de uma forma do gene CYP2B6 que codifica uma enzima com actividade reduzida demonstram um aumento mais intenso no desejo de fumar após a data em que deveriam deixar o cigarro, comparados com o grupo que apresentava a forma mais comum do gene. Os portadores de uma forma menos activa do CYP2B6 também foram 50 por cento mais propensos a voltar a fumar durante o tratamento. Cerca de 25 por cento da população possui essa forma do gene.
 

 

Os investigadores também verificaram que, entre as mulheres portadoras do gene, ou seja, a forma menos activa do CYP2B6, 54 por cento delas – medicadas com bupropiona - continuaram a resistir ao cigarro no final do estudo, meta atingida por apenas 19 por cento do grupo que recebeu placebo.
 

 

Em entrevista à Reuters, Lerman explicou que os portadores da forma menos activa do gene CYP2B6 poderiam metabolizar mais lentamente a nicotina. E que a acumulação da substância poderia resultar em alterações no cérebro, capazes de produzir dependência química.
 

 

Segundo a cientista, as mulheres são mais propensas a recaídas. Os resultados do estudo ainda sugerem que os portadores dessa variante do CYP2B6 poderiam beneficiar de uma ajuda extra da bupropiona. Isto porque, justificou a especialista, o medicamento ajudaria a enfrentar os problemas de humor que atingem quem pára de fumar.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

 

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