O fim da vida fértil das mulheres é determinado geneticamente

Este dado pode ajudar as mulheres com tendência familiar para uma menopausa prematura a planearem melhor a sua maternidade

30 agosto 2001
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Todas as mulheres nascem com todos os óvulos que poderão ser ou não fecundados ao longo da sua vida. Estes permanecem imaturos até à adolescência, altura em que continuam o seu desenvolvimento e são fecundados ou então, se não o forem, são expulsos para o exterior durante a menstruação. Desta forma, a partir da adolescência o número de óvulos disponíveis para serem fecundados vai diminuindo até que chega uma altura em que a sua quantidade é tão reduzida que o organismo feminino que termina seu período fértil e entra em menopausa
 

 

Nos países desenvolvidos o número de mulheres que adiam a maternidade para além dos 30 anos, movidas principalmente por motivos profissionais, é cada vez maior. Como se pensa que a fertilidade começa a diminuir cerca de 20 anos antes do início da menopausa, as mulheres geneticamente propensas a terem a menopausa antes dos 50 anos já têm a sua fertilidade reduzida aos 30 anos.
 

 

Já há bastante tempo que os médicos suspeitavam da existência de uma forte determinação genética da idade da menopausa que foi, finalmente, confirmada na investigação levada a cabo na Universidade de Utrecht (Holanda) pela equipa de pesquisadores coordenada por Jan-Peter de Bruin. Eles analisaram 243 irmãs não-gémeas e um número reduzido de gémeas.
 

 

Esta equipa descobriu que é possível prever a idade da menopausa de uma das irmãs a partir da idade em que a outra irmã teve a sua menopausa, com uma correlação de 87%. Esta equipa espera que novas investigações ajudem a identificar o(s) gene(s) que determinam a idade em que termina a vida fértil de uma mulher e, assim, poderem despistar as hipóteses de uma mulher, de quem se desconhece a predisposição familiar, ter uma menopausa prematura.
 

 

Se se vier a confirmar que a idade em que a mulher perde a sua capacidade biológica para ser mãe é quase inteiramente definida geneticamente, esse conhecimento será útil para que uma mulher possa saber antecipadamente a idade aproximada em que será defraudada da sua fertilidade por uma menopausa prematura. Isto significa que as mulheres cujas mães tiveram a menopausa antecipadamente devem considerar a hipótese de elas próprias correrem esse mesmo risco e, assim, planearem a sua maternidade enquanto ainda são férteis.
 

 

Embora venha a existir a possibilidade de prever a idade em que a mulher perde a sua fertilidade, Bruin pensa que será difícil aplicar a terapia genética para evitar a prematuridade da menopausa uma vez que, nessa determinação genética, estará envolvido (muito provavelmente) um grande número de genes.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet
 

 

Fonte: BBC

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