O fim da resistência aos antibióticos?

Estudo publicado na revista “Nature”

23 junho 2014
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Investigadores do Reino Unido descobriram o calcanhar de Aquiles presente na barreira defensiva que rodeia as bactérias resistentes aos fármacos, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 

A principal função dos microrganismos envolve a sua rápida reprodução e disseminação, bem como a sobrevivência dentro do organismo do hospedeiro. Quando um antibiótico impede o crescimento das bactérias estas podem sofrer alterações genéticas que lhes permitem criar uma barreira defensiva, um processo que culmina na chamada resistência aos fármacos.
 

Recentemente, a Organização Mundial de Saúde alertou para o facto da resistência aos antibióticos estar a disseminar-se globalmente. Esta organização referiu que, caso esta resistência não fosse travada, as infeções comuns e atualmente tratáveis poderiam vir a matar de novo.
 

Agora neste estudo, os investigadores da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, descobriram como as barreiras defensivas dos chamados “supermicrorganismos” são construídas, o que poderá conduzir ao desenvolvimento de novos fármacos, contra os quais as bactérias não conseguirão desenvolver resistência.
 

Os investigadores, liderados por Changjang Dong, focaram-se numa classe de bactérias, as chamadas bactérias Gram negativas, particularmente resistentes aos antibióticos devido à sua membrana lipídica impermeável. Esta membrana externa atua como uma barreira defensiva contra os ataques do sistema imune e da ação dos antibióticos. Até à data não se sabia ao certo como esta barreira era construída.
 

Neste estudo, os investigadores descobriram como as células bacterianas transportavam um dos constituintes da sua parede celular, os lipopolisacarídeos, para a superfície, construindo desta forma uma barreira protetora.
 

“Identificámos a via utilizada pelas bactérias para transportar os componentes da barreira protetora para a superfície. Verificámos que se essa via fosse bloqueada, as bactérias morreriam”, revelou, em comunicado de imprensa, Changjang Dong.
 

De acordo com os investigadores, estes resultados são muito entusiasmantes uma vez que poderão conduzir a fármacos que tenham por alvo a barreira protetora das bactérias, e não bactéria em si. “Uma vez que novos fármacos terão necessidade de entrar dentro da bactéria, esperamos que no futuro esta não desenvolva resistência.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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