O fígado consegue regenerar-se após dieta pobre em proteínas

Estudo publicado na revista “Nutrition”

30 março 2017
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Uma equipa de investigadores conduziu um estudo que demonstrou que o fígado tem a capacidade de se regenerar de danos provocados por uma dieta pobre em proteínas.
 
O estudo conduzido por investigadores da Escola de Medicina Veterinária da Universidade de Surrey, Inglaterra, em colaboração com a Universidade de São Paulo, Brasil, analisou o impacto de uma dieta com poucas proteínas sobre o fígado.
 
Para o estudo, a equipa monitorizou dois grupos de ratinhos: um dos grupos foi alimentado com níveis normais de proteínas e o outro grupo recebeu uma dieta com baixos níveis de proteínas durante cinco semanas. 
 
A equipa empregou um novo método, denominado estereologia baseada em design, que lhes permitiu calcular o volume do fígado e o número total e tamanho das células do órgão em 3D. 
 
Foi verificado que o fígado dos ratinhos alimentados com pouca proteína tinha diminuído 65%. O volume das células do fígado, os hepatócitos, tinha reduzido 46%, o número total de hepatócitos binucleados que causam um decréscimo na funcionalidade deste órgão, tinha aumentado em 90% e finalmente, verificou-se uma redução de 20% na albumina que é uma proteína produzida pelo fígado e um importante biomarcador para a funcionalidade nutricional deste órgão. 
 
Estes danos ao fígado podem afetar a capacidade de o órgão funcionar corretamente, podendo causar danos ao sistema nervoso e músculo-esquelético, bem como afetar a capacidade de o organismo metabolizar medicação. A proliferação dos hepatócitos binucleados é um sinal que o fígado está a tentar retificar os danos causados pela dieta pobre em proteínas.
 
Após as cinco semanas os ratinhos com a dieta pobre em proteínas voltaram a ser alimentados com uma dieta com níveis normais de proteínas. Verificou-se então um aumento de 85% no número total de hepatócitos uninucleados e um aumento de 1,5 no volume do fígado. Os investigadores consideram que com mais tempo o fígado poderia ter recuperado ainda mais. 
 
Esta descoberta demonstra a capacidade (plasticidade) do fígado se autorregenerar e reverter os danos causados por uma dieta pobre em proteínas. 
 
“É importante não subestimar a importância das proteínas as na nossa alimentação. Desde formar e reparar tecidos a produzir enzimas e hormonas, as proteínas são um componente vital para o funcionamento do nosso organismo”, avançou Augusto Coppi, investigador na Escola de Medicina Veterinária na Universidade de Surrey. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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