O estrogénios podem ser benéficos no tratamento da Doença de Alzheimer

Estradiol aplicado através de emplastros diários promove recuperação de memória

28 agosto 2001
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Um novo estudo mostrou que o tratamento à base de estrogénios durante dois meses no período pós-menopausa em mulheres com doença de Alzheimer moderada promove alguma recuperação da memória e de parte das capacidades cognitivas. Estas conclusões foram publicadas ontem na última edição do jornal Neurology e resultam de um pequeno estudo realizado por Sanjay Asthana, médico e professor associado na Universidade de Wisconsin, Madison (EUA).
 

 

À partida estes dados já foram contestados por Bill Thies, porta-voz da Associação da Doença de Alzheimer nos Estados Unidos, ao alegar que não só a escala deste estudo é muito reduzida como também o seu carácter preliminar impede que as conclusões dele retiradas sejam tidas como certas. No entanto B. Thies anui quando afirma que “... a grande maioria das investigações publicadas são bastante claras no que diz respeito ao reconhecimento de que os estrogénios desempenham algum papel...” no tratamento da doença de Alzheimer.
 

 

Não negando a quantidade esmagadora de estudos que negam o papel favorável dos estrogénios no tratamento desta doença, S. Asthana alega que “em todos esses estudos o tipo de estrogénio foi mal escolhido, mal doseado e a hormona foi administrada às mulheres de formas erradas”.
 

 

Numa entrevista, S. Asthana afirmou que utilizou um tipo de estrogénio denominado estradiol, considerado como a forma mais potente desta hormona. “O estradiol é o tipo de estrogénio que é produzido pelos ovários quando as mulheres são jovens. Quando o estrogénio é administrado sob a forma oral, em comprimidos, o organismo converte o estrogénio em estradiol mas nesse processo de conversão perde-se uma parte da potência desta hormona,” explica aquele investigador.
 

 

Neste estudo o estradiol foi administrado através de um emplastro e, portanto, este tipo de estrogénio foi absorvido através da pele sem ser necessário qualquer processo de conversão de estrogénio em estradiol. Desta forma, os níveis plasmáticos de estradiol registados neste estudo foram mais elevados do que os registados em estudos anteriores.
 

 

A metodologia deste estudo abrangeu uma amostra de 20 mulheres com a doença de Alzheimer. Destas, dez aplicaram diariamente os emplastros de estradiol enquanto as outras dez aplicaram um emplastro-placebo. A memória e as capacidades cognitivas foram avaliadas através de testes padronizados de avaliação, realizados no início e no fim do tratamento.
 

 

O autor desta pesquisa constatou que as mulheres que aplicaram o estradiol apresentavam melhorias na ordem dos 30% em áreas específicas da memória tais como a capacidade de lembrar palavras ditadas e imagens. A capacidade cognitiva também melhorou levemente.
 

 

S. Asthana tem em curso outra investigação, em maior escala, em que vai administrar, durante um ano, três tipos de emplastros: o de estradiol, o placebo e outro com uma combinação de estradiol e progesterona.
 

 

Enquanto B. Thies ainda tem sérias dúvidas acerca dos benefícios do tratamento de estrogénios preconizado por S. Asthana, ele afirma, no entanto, que o esta hormona pode ser útil na prevenção da doença de Alzheimer. Entretanto, ele reafirma a sua posição ao afirmar: “Eu não penso que surja uma ‘onda’ de pesquisadores clínicos a iniciarem novos tratamentos (de Alzheimer) com estrogénios unicamente fundamentados neste pequeno estudo.”
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet
 

 

Fonte: WebMD

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