O estigma das pessoas com sida

Estudo vai contar com a participação de Portugal

21 fevereiro 2013
  |  Partilhar:

Um estudo que vai pela primeira vez analisar as experiências vividas por quem tem VIH/sida, com o intuito de analisar o estigma e a discriminação associados à doença, vai contar coma participação de Portugal.
 

O estudo, que só deverá estar concluído em finais de junho, vai ser orientado, em Portugal, pelo coordenador do Centro Anti Discriminação (CAD) VIH/Sida, uma iniciativa conjunta da SER+, associação portuguesa para a prevenção e desafio à sida, e do GAT, Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos de VIH/Sida.
 

Em declarações à agência Lusa, o coordenador do CAD explicou que este estudo é um projeto patrocinado pela ONU Sida e por mais três organizações internacionais: a Rede Global de Pessoas com VIH, a Rede das Mulheres que Vivem com VIH e a Federação Internacional do Planeamento Familiar.
 

“A discriminação, embora se fale muito dela, é um assunto ainda relativamente pouco estudado e pouco compreendido. Entre nós não há nada feito sobre o assunto”, explicou à agência Lusa o coordenador do CAD, Pedro Silvério Marques.
 

O coordenador adiantou à agência Lusa que o trabalho no terreno deverá começar ainda este mês, assim que tenham todas as autorizações de cada um dos 17 hospitais que seguem mais de 5% da população infetada.
 

O objetivo do estudo é entrevistar entre 1.000 a 1.500 pessoas seropositivas, com vista a cobrir os cinco distritos que representam mais de 75% dos casos notificados – Coimbra, Lisboa, Porto, Setúbal e Faro, segundo informação da SER+.
 

Pedro Silvério Marques explicou que as pessoas abrangidas irão responder a perguntas sobre vários aspetos do estigma, desde a situação no seio da família, dos amigos ou de outros grupos que integrem, até à discriminação no trabalho, no acesso ou na promoção das carreiras, ou na aquisição de um seguro, assim como no acesso aos tratamentos.
 

De acordo com o coordenador, apesar de Portugal ter uma lei de 2006 que proíbe e pune qualquer tipo de discriminação, a aplicação tem sido “muito escassa”.

 

"Das duas uma, ou não há discriminação em Portugal, ou as pessoas não acreditam nem na lei nem nos mecanismos de defesa dos seus direitos, e não estão para se expor ainda mais a apresentar uma queixa”, defendeu.

 

“Decidimos que era tempo de fazer um levantamento, porque não se pode falar das coisas sem saber o que elas são; como é que as pessoas sentem o estigma e a discriminação, no que é que esta legislação precisa de ser alterada e modificada para que seja efetiva na defesa dos direitos das pessoas”, conclui.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.