O drama dos gémeos siameses

Inglesa vai ter de perder uma filha

04 fevereiro 2002
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Tina May é inglesa, vive no condado britânico de Hertfordshire, tem 23 anos, e está grávida de gémeas siamesas unidas pelo coração e fígado.
 

 

Segundo o tablóide The SunTina e seu namorado, Dennis Smith, terão de decidir qual das meninas deverá sobreviver. Tina está no sexto mês de gravidez e deve ser submetida a cesariana no final de Abril. Logo depois, as gémeas serão transferidas para um hospital em Londres, onde ficarão sob cuidados até serem capazes de enfrentar uma cirurgia para separá-las.
 

 

O casal já escolheu os nomes dos bebés: Courtney e Natasha.
 

Mas, segundo a opinião dos médicos que acompanham o caso, Natasha é a que tem mais possibilidades de sobreviver. A futura mãe, em declarações ao jornal inglês, não escondeu o seu desconsolo. "Vai ser horrível deixar Courtney partir depois de já ter criado um laço com ela". Apenas um motivo lhe serve de consolo: "Uma das coisas que alivia o nosso sofrimento é saber que Courtney teria o mesmo rosto de Natasha. Por isso, sempre teremos a lembrança da nossa menina."
 

 

O casal, que já tem um filho de nove meses, Damien, descobriu em Novembro que as duas meninas estavam unidas pelo abdómen e dividiam o mesmo coração e um fígado, mas mesmo assim não colocaram a hipótese de abortar.
 

 

Um especialista cardíaco já avisou o casal que o coração encontra-se mais no organismo de Natasha, o que significa que ela mantém a irmã viva e, por isso, poderá sobreviver à separação.
 

 

As crianças devem nascer em Abril, na 37ª semana de gravidez, através de uma cesariana. O casal, que vive na cidade de St. Albans, na região norte de Londres, planeia casar ainda este ano.
 

 

Siameses: como acontece?
 

 

A hipótese de gerar gémeos siameses é extremamente rara e ocorre em um a cada cem mil nascimentos.
 

 

Os gémeos siameses, ou gémeos unidos congenitamente, são produtos de um único ovo fertilizado. O desenvolvimento do embrião começa a dividir-se em gémeos idênticos dentro de duas semanas após a concepção. Entretanto, os processos param antes de se completarem, deixando um ovo parcialmente separado que se desenvolve em feto unido ao outro.
 

 

Estima-se que entre 40 a 60 por cento dos bebés siameses em todo o mundo nasçam mortos. A taxa de sobrevivência de gémeos unidos ronda entre 5 a 25 por cento. Os registos históricos dos últimos 500 anos mostram que cerca de 600 pares de gémeos sobreviveram, sendo que 70 por cento resultaram em gémeos do sexo feminino.
 

 

Caso tenham órgãos separados, as possibilidades de sobreviveram a uma cirurgia são maiores que se dividirem os mesmo órgãos. Embora não se saibam bem as razões, os números mostram ainda que os gémeos siameses nascem mais em África e Índia do que na China e Estados Unidos.
 

 

A História do nome
 

 

O termo "siameses" foi denominado em alusão aos irmãos
 

Chang e Eng, nascidos em 1811 no Sião, actual Tailândia.
 

 

Chang e Eng nasceram ligados pelo apêndice, mas o que aparentemente poderia ter originado duas vidas difíceis, na verdade não o foi. Os dois fizeram inúmeras tournés em circos por todo o mundo e chegaram até a exibir os seus corpos ao rei da China.
 

 

Ganharam muito dinheiro e aos 32 anos casaram-se com um par de irmãs. Cada um tinha a sua casa separadas por uma distância de dois quilómetros e meio. Mas a distância não os impediu de terem, cada um, sete filhos. As visitas às respectivas famílias eram distribuídas de modo equitativo de três em três dias. Chan, mais temperamental que Eng, começou a beber de um modo descontrolado e, aos 59 anos, ficou paralítico. Quatro anos depois, durante a noite, morreu. Eng partiu três horas depois.
 

 

Mais informações sobre o assunto: http://www.conjoined-twins.i-p.com
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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