O dilema das mamografias

Estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”

04 abril 2014
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Uma revisão de 50 anos de estudos sugere que os benefícios da mamografia são muitas vezes sobrevalorizados e, que por outro lado, os seus danos são subvalorizados, dá conta um estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”.
 

“O que eu digo às minhas pacientes é que a mamografia não é um teste perfeito. Alguns cancros ficam por diagnosticar, algumas pessoas irão morrer deste cancro mesmo sendo submetidas a uma mamografia, e um pequeno número de pacientes que teriam morrido se o teste não fosse realizado, sobrevivem”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das coautoras do estudo, Nancy Keating.
 

Os investigadores Escola de Medicina da Universidade de Harvard e do Hospital Brigham and Women, nos EUA, referem que a melhor estimativa em termos do efeito da realização de mamografias anuais na redução da mortalidade por cancro da mama é de aproximadamente 19%. Para as mulheres com 40 anos, a redução do risco é de 15 % e para as mulheres com 60 anos é de 32%. Contudo, os benefícios deste exame são dependentes do risco que as mulheres têm de desenvolver cancro da mama.
 

Os autores do estudo estimam que em cerca de 10.000 mulheres com 40 anos, a realização de uma mamografia anual, ao longo de 10 anos, diagnosticará cancro da mama em 190 mulheres. Destas 190, cinco não irão morrer devido ao rasteiro. Contudo, 25 das 190 iriam morrer quer tenham ou não sido submetidas a este tipo de exame. As restantes mulheres iriam sobreviver, em parte, devido aos avanços alcançados no tratamento deste tipo de cancro.
 

No entanto, a investigadora alerta para o facto de o principal dano associado à mamografia é o risco de sobrediagnóstico. Este refere-se ao diagnóstico de cancros que nunca seriam visíveis clinicamente, por não se desenvolverem de facto ou a paciente morrer por outra causa. Na verdade os investigadores estimam que 19% das mulheres diagnosticadas com cancro com base nos resultados das mamografias estão sobrediagnosticadas.
 

Através da análise dos estudos realizados, os investigadores concluíram que mais de metade das mulheres submetidas a um rastreio anual, ao longo de 10 anos, tinham um falso positivo que requeria mais exames.
 

“Apesar de serem necessários mais estudos sobre os benefícios e danos da mamografia, os dados existentes sugerem que temos estado a sobrestimar os benefícios e sobrevalorizar os danos das mamografias nos últimos anos”, refere Nancy Keating.
 

Para a investigadora é importante ter discussões informadas com os pacientes para as ajudar a compreender quais os possíveis benefícios e desvantagens deste tipo de procedimento, para que elas decidam por si próprias. O risco do cancro da mama aumenta com a idade, com antecedentes familiares e se a mulher deu ou não à luz.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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