O desejo irresistível das calorias

Estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”

28 janeiro 2016
  |  Partilhar:
O sabor doce e as calorias que contêm combinam-se e fornecem um poder letal capaz de destruir qualquer dieta. Investigadores americanos descobriram que o cérebro responde ao sabor e à quantidade de calorias de um modo completamente distinto. É o desejo por calorias e não por doces que domina o deseja por alimentos doces, defende um estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”.
 
O cérebro tem de facto dois grupos separados de neurónios para processar os sinais doces e de energia. “Se é dado ao cérebro a possibilidade de escolha entre o sabor agradável, mas sem calorias e um sabor desagradável mas com energia, o cérebro escolhe este último”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Ivan de Araujo.
 
Tanto o sabor doce como o valor dos nutrientes são registados no corpo estriado, uma antiga região do cérebro envolvida no processamento de recompensas. Os seres humanos comem doces de forma a garantir que ingerem o suficiente para fornecer ao cérebro calorias suficientes para que este funcione com a máxima eficácia. 
 
Contudo, neste estudo os investigadores da Universidade de Yale, nos EUA, demonstram, em estudos realizados em ratinhos, que os sinais do sabor e dos nutrientes são processadas em duas áreas separadas do corpo estriado, o ventral e dorsal, respetivamente. Verificou-se que o corpo estriado dorsal permaneceu sensível à energia, mesmo quando as calorias ingeridas pelos ratinhos foram emparelhadas com um sabor muito desagradável.
 
Posteriormente os investigadores tentaram descobrir qual dos sinais tinha mais controlo no comportamento alimentar. Para tal alimentaram ratinhos com açúcar com sabor doce, mas sem calorias, ou açúcar com calorias, mas com um sabor desagradável. Quando ativaram os neurónios do corpo estriado dorsal, os investigadores verificaram que os animais comeram grandes quantidades de açúcar com um sabor desagradável.
 
“O circuito sensível do açúcar no cérebro está ligado para dar prioridade à busca de calorias em detrimento da qualidade de sabor”, explicou o investigador.
 
Os autores esperam que os achados ajudem a impulsionar novas estratégias com o intuito de impedir o consumo excessivo de açúcar.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.