O comportamento sexual humano e as ferormonas...

... o debate científico continua!

30 agosto 2001
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Será verdade que homens e mulheres comunicam entre si através das ferormonas? Um estudo recentemente publicado na revista científica Neuron veio reacender o debate desta questão. As conclusões deste estudo revelam que homens e mulheres reagem de forma diferente a duas substâncias químicas semelhantes a dois componentes do suor humano.
 

 

Nos animais, as ferormonas afectam o comportamento reprodutivo, por exemplo ao antecipar a puberdade ou ao bloquear a gravidez. Pensa-se que estas influências resultam do efeito de factores ambientais na produção destes compostos. Por exemplo, a gravidez pode ser bloqueada se não estiverem reunidas as condições ambientais favoráveis para o crescimento e desenvolvimento das crias e essas condições podem ser uma diminuição sazonal da quantidade de alimento disponível ou qualquer outro factor ambiental.
 

 

Investigações anteriores já mostraram que o ciclo menstrual da mulher pode ser sincronizado quando se salpica o lábio superior com suor. No entanto, ainda não foi isolado qualquer composto ferormonal ainda ninguém conseguiu fazer a identificação química das ferormonas humanas.
 

 

Muitos animais têm dentro de cada narina uma protuberância chamada vómer, que conduz os sinais das ferormonas ao cérebro. Os humanos têm ductos vomeronasais no nariz mas, até agora, ainda ninguém provou que comunicam com o cérebro e alguns investigadores argumentam que sem essa comunicação a espécie humana não pode processar a informação química contida nas ferormonas.
 

 

I. Savic e seus colaboradores do Instituto Karolinska em Estocolmo (Suécia), investigaram as respostas femininas e masculinas a dois compostos químicos: o AND – um derivado da hormona masculina testosterona – e o EST – um derivado da hormona feminina estrogénio. Estes derivados foram dados a inalar a voluntários ao teste e os investigadores avaliaram o fluxo sanguíneo em várias partes do cérebro através duma técnica designada Tomografia por Emissão de Positrões (TEP). Desta avaliação, a pesquisa revelou dois padrões de actividade cerebral: (1) nos homens, o hipotálamo é activado pela inalação de EST e não pela inalação de AND e (2) nas mulheres, o hipotálamo é activado pela inalação de AND e não pela inalação de EST.
 

 

Apesar destes resultados serem interessantes, Charles Wysocki, neurocientista do Monell Chemical Senses em Filadélfia (EUA) afirma que ainda é prematuro avançar para a conclusão de que as ferormonas afectam o comportamento sexual humano pois “... ainda ninguém descreveu o qualquer mecanismo que explique essa relação. Um TEP não é suficiente!”
 

 

I. Savic concorda com as afirmações do seu colega americano mas ela também defende que embora as substâncias estudadas na sua pesquisa não sejam ferormonas naturais, a activação sexual específica observada no hipotálamo (que nos animais está relacionado com o processo de reconhecimento químico de ferormonas) em homens e mulheres sugere que, de facto, os humanos reagem aos estímulos ferormonais.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet
 

 

Fonte: Academic Press

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