O cliente-tipo da prostituta

Estudo revela perfil do comprador de sexo em Portugal

16 dezembro 2004
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 Os clientes das prostitutas revelam predisposição para assumir comportamentos de risco, concluiu um estudo parcialmente apresentado na semana passada no Porto, nas jornadas sobre prostituição em Espanha e em Portugal, organizadas pela Associação para a Prevenção e Reinserção do Colectivo Prostituição de Salamanca. O cliente representa uma ínfima parte de um mega-estudo sobre prostitutas de interior. A investigação, que arrancou no início de 2001, envolve três universidades (Minho, Beira Interior, Trás-os-Montes e Alto Douro) e abrange um raio de 50 quilómetros para cada lado da fronteira (nos eixos Braga-Vigo e Vilar Formoso-Fuentes de Oñoro). A partir de 15 entrevistas semidirigidas e de «centenas de contactos», os investigadores identificaram três tipos de clientes. Em comum, há uma «grande predisposição para comportamentos de risco», frisou Sacramento, desfazendo o mito da prostituta como principal foco de propagação de doenças sexualmente transmissíveis. Há o indivíduo que, por razões de ordem física ou psicológica, tem dificuldades em seduzir o sexo oposto. É o cliente «sexualmente indigente», que compra «sexo mecânico» e até usa expressões como «despejar», «mudar o óleo», «desenferrujar o material». Convencido da hegenomia masculina, negligencia o uso do preservativo. O «sexualmente expansivo» procura realizar as fantasias interditas em casa. Alguns definem-se como «predadores» ou «coleccionadores». Também estes recusam o uso do preservativo. «O emocionalmente implicado» procura mais do que sexo. Para ele, a prostituta é «psicóloga, terapeuta, pedagoga sexual». Gosta de usar a expressão «fazer amor» e renega o preservativo, confiante nos cuidados de higiene e nas vistorias médicas a que elas se sujeitam. No entanto, segundo os investigadores, 93,7 por cento das prostitutas usam preservativo. A relação sexual desprotegida tende a não ocorrer, graças ao papel «dissuasivo, por vezes mesmo repressivo», que elas exercem. A «esmagadora maioria» das prostitutas dos clubes fronteiriços é extracomunitária, «muito especialmente brasileiras» e o papel dos «chulos está em risco de extinção», já que ganha fôlego a figura do «namorado». Quanto à questã das fronteiras (Portugal- Espanha) têm uma «função simbólica». Os homens encetam autênticas «peregrinações» para ir às prostitutas. É como se a distância «atenuasse a culpa». «A fidelidade prescreve aos 300 quilómetros», alegou um cliente.Fonte: Público

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