O cérebro também comanda o emagrecimento
02 agosto 2002
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Investigadores norte-americanos descobriram como funciona o mecanismo cerebral que comanda a queima de calorias excedentárias, abrindo novas perspectivas para compreender a obesidade e combatê- la.
 

 

A importância do papel desempenhado pelo cérebro no ritmo metabólico, através da chamada "termogénese", é conhecida desde há algum tempo, mas até agora não se sabia como se desencadeava este processo.
 

 

Um grupo de investigadores do Centro Médico Beth Israel Deaconess, em Harvard (Massachusetts), afirma ter decifrado este complicado sistema de comunicações dirigido pelo cérebro, a termogénese induzida pela dieta, que implica a libertação de calor.
 

 

A investigação, cujos resultados estão publicados na edição de hoje da revista Science, foi realizada com a ajuda económica dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos e do grupo farmacêutico Eli Lilly.
 

 

"O corpo necessita de um certo número de calorias para funcionar e manter-se saudável", explicou Bradford Lowell, especialista em endocrinologia e co-autor da investigação.
 

 

"Quando o corpo adquire mais calorias do que as necessárias, ou converte as excedentárias em gordura que armazena, podendo conduzir à obesidade, ou transforma-as em calor, que é depois dissipado", explicou o cientista.
 

 

Este último processo, a termogénese induzida pela dieta, realiza-se através do sistema nervoso simpático onde um grupo de moléculas, conhecidas como receptores beta adrenérgicos (betaARs), actuam sobre os tecidos que têm capacidade de queimar a gordura para prevenir a sua acumulação.
 

 

Segundo Eric Bachman, o cientista que dirigiu a investigação, a transformação dá-se principalmente no tecido adiposo castanho, que recebe este nome devido à coloração que apresenta.
 

 

Ambos os investigadores indicaram ainda que o tecido muscular junto ao esqueleto, que consome calorias durante o exercício, também poderá ser relevante.
 

 

Com o objectivo de comprovar se o processo é ou não responsável pela eliminação da gordura excedentária, os investigadores criaram um grupo de ratos geneticamente modificados de forma a não terem receptores betaARs.
 

 

Durante oito semanas, dividiram-nos em dois grupos para serem alimentados de forma diferente, um com uma dieta convencional para ratos e o outro com uma dieta enriquecida com gorduras e açúcares.
 

 

A cada grupo juntaram também ratos normais, de forma a compararem resultados.
 

 

Entre os que receberam uma dieta convencional, os ratos sem receptores betaARs começaram a demonstrar uma ligeira obesidade, embora as diferenças não fossem muito significativas em relação aos ratos normais.
 

 

No entanto, no grupo submetido à dieta rica em calorias, "as diferenças foram espectaculares", afirmam os investigadores.
 

 

"Quando interferimos no sistema nervoso simpático retirando os receptores beta adrenérgicos, os ratos alimentados com uma dieta rica em calorias cresceram massivamente obesos", explicou Lowell.
 

 

Cada um destes ratos aumentou 26 gramas.
 

 

Os ratos da dieta rica em calorias aos quais não foram retirados os receptores também ganharam peso, mas em muito menores dimensões, aumentando apenas uma média de 7 gramas.
 

 

Estes resultados, segundo os cientistas, indicam não só que os receptores beta adrenérgicos são necessários para manter a queima de calorias excedentárias através da termogénese, mas também que este processo desempenha um papel chave para prevenir a obesidade.
 

 

Lowell e Bachman consideram que este estudo pode ajudar a identificar e a entender as mutações que conduzem à obesidade e, possivelmente, a desenvolver medicamentos que a previnam.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

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