O cérebro e o comando das ações intencionais

Descoberta de cientista da Fundação Champalimaud

26 agosto 2013
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Uma equipa de investigadores descobriu a estrutura do cérebro responsável pela alternância de ações automáticas e de ações intencionais.

 

Conduzido por Christina Gremel e Rui Costa, no NIAAA, National Institutes of Health (NIH) nos EUA e na Fundação Champalimaud em Portugal, o estudo revelou que a área orbito-frontal do córtex é fundamental para a alternância entre os dois tipos de ações.

 

Muitas das nossas ações são automáticas. Ao utilizamos o mesmo elevador todos os dias para nos deslocarmos para o mesmo andar por exemplo, o facto de carregarmos no botão torna-se um ato automático após apenas alguns dias de repetição desse mesmo ato.

 

No entanto, se tivermos que carregar num botão do elevador para nos deslocarmos para outro piso que não o habitual, esse ato passa a ser pensado ou intencional, exigindo uma tomada de atenção da nossa parte. Esta tomada de atenção é a consequência de uma mudança ocorrida no cérebro.

 

São três as áreas do cérebro que envolvidas na passagem de uma ação automática para uma ação intencional: o córtex orbito-frontal, que fica numa região mais externa do cérebro perto da testa, e dois gânglios de base que ficam numa região mais interior do cérebro, chamados “estriado lateral” e “estriado medial”.

 

Christina Gremel explica que “para este estudo, desenvolvemos uma tarefa na qual os ratinhos alternavam as suas ações intencionais e habituais. Esta tarefa permitiu-nos, pela primeira vez, examinar quais as regiões do cérebro responsáveis pela quebra de hábitos.”. Estudos anteriores já haviam demonstrado que as ações intencionais são controladas pela região mais medial do estriado e que as ações automáticas são o resultado da atividade neural na região mais dorsal desta mesma área do cérebro.

 

“Quando inibimos neurónios da área orbito-frontal do córtex de ratinhos, conseguimos reduzir as suas ações intencionais. Já quando ativamos estes mesmos neurónios, através de uma técnica chamada optogenética, observamos um aumento seletivo das ações intencionais”, acrescenta Rui Costa.

 

Este estudo irá ser muito relevante na área da neuropsiquiatria, nomeadamente no tratamento de problemas obsessivo-compulsivos: “esta área é a que mais aparece afetada na compulsão, em que a pessoa perdeu o controlo: lava as mãos frequentemente e, apesar de ter acabado de lavar as mãos, não consegue controlar o gesto”, explica Rui Costa. “A nossa esperança é fazer com que estas pessoas voltem a controlar as suas ações através de uma experiência não invasiva”. O cientista explica que o método consistirá em colocar elétrodos na zona do córtex orbito-frontal dos pacientes de forma a ativar os neurónios dessa região, através de estimulação eletromagnética.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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E em humanos?

Temos que ter em atenção que as intenções feitas por ratinhos não é o mesmo por cérebros humanos. Fazer uma "transferência" imediata de ratinhos para humanos não é aconselhável em atos considerados cognitivos e é precisamente isto que este artigo está a fazer. É preciso muito cuidado com este tipo de ligações pois pode levar a que o que foi descoberto seja "inutilizado" no futuro devido a suposições que podem não estar corretas em cérebros humanos.

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