O amor está on-line

Chats de conversação fomentam relações emocionais positivas

19 março 2002
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Tal como acontece na sociedade, a internet reflecte o bom e o mau que povoam a existência humana. A paixão surge em qualquer lado e os novos meios de comunicação on-line são apenas mais um dos veículos onde os sentimentos podem ser expressos.
 

 

Mas tal como o amor, o vício também pode espreitar em qualquer lado e de qualquer modo, basta para isso que as pessoas tenham uma tendência para a dependência.
 

Não são raros os relatos de pessoas que ficam «viciadas» na internet, que passam horas a fio a navegar ou que trocam as relações pessoais pelo écran de um computador.
 

 

Para quem quer conhecer alguém e não convive com pessoas interessantes, os chats – salas de conversação on-line – podem ser mesmo a solução. Tudo pode começar pela troca de nomes, gostos e até um pouco mais e continuar com encontros marcados em determinadas salas, em privado ou aos olhos dos outros cibernautas.
 

 

Estes romances não são nada anormais, apesar de a opinião pública pensar que possam ser relações superficiais, em ambientes pouco indicados e, às vezes, hostis.
 

 

E quando os intervenientes do romance finalmente se encontrem «ao vivo», a relação pode prosperar porque sentem já se conhecer devido aos encontros on-line, disse Jeffrey Gavin, especialista em psicologia da Universidade de Bath, durante a apresentação de um estudo na Sociedade Britânica de Psicologia.
 

 

Pequenas mentiras
 

 

Ao contrário das expectativas criadas, a maioria dos utilizadores dos chats não engana totalmente os parceiros on-line. «Dizem apenas algumas pequenas mentiras sobre a altura ou a cor do cabelo», apontou o investigador.
 

Jeffrey Gavin baseou estas considerações depois de ter entrevistado 42 utilizadores regulares de chats com idades entre 19 e 26 anos.
 

 

"Os chats não dão origem a relações superficiais e impessoais", afirmou Gavin. Pelo contrário, reforça o investigador, as conversas on-line levam a relações mais íntimas porque as pessoas se expressam de maneira mais livre, aberta e honesta pela Internet.
 

 

Por isso, quando se encontram «of-line» as ligações são fáceis porque já se conhecem bem. Aliás, aponta o psicólogo, «na conversa on-line, os homens podem ser mais honestos e abertos emocionalmente, e as mulheres mais liberadas sexualmente».
 

 

Quanto às «pequenas mentiras», Gavin refere que os utilizadores parecem agir de acordo com as normas sociais em relação ao corpo. «Os homens dizem ser louros de olhos azuis, e as mulheres acrescentam ser loiras e aumentam o tamanho do busto.»
 

 

Dos entrevistados, apenas 12 disseram mentiras absolutas, mas os restantes indivíduos apenas exagerou um pouco, aponta o investigador. Estas pequenas demonstrações de desonestidade para com a imagem corporal parecem estimulá-los a serem mais explícitos e mais íntimos emocionalmente.
 

 

Sexo
 

 

A Internet já foi qualificada como o meio perfeito para quem procura sexo ocasional. Segundo os resultados apresentados na mesma conferência sugeriram que os homens homossexuais de Londres geralmente usam as salas de chats para encontrar parceiros sexuais.
 

 

No entanto, estudos mais recentes sugeriram que o ciberespaço também pode proporcionar alguns benefícios consideráveis, como auxiliar a formação de novas relações.
 

Segundo Gavin, 29 dos 42 voluntários informaram manter uma amizade intensa ou uma relação romântica com pessoas que conheceram por meio Internet. Com 21 deles, as conversas em chats progrediram para encontros pessoais.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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