Nutrição materna pobre aumenta risco de diabetes

Estudo publicado na revista “Cell Death and Differentiation”

13 janeiro 2012
  |  Partilhar:

Uma nutrição pobre durante a gestação pode aumentar o risco de desenvolver, mais tarde na vida, diabetes tipo 2 e outras doenças associadas à idade, segundo um estudo publicado na “Cell Death and Differentiation”.

 

Neste estudo, os investigadores da University of Cambridge e da University of Leicester, no Reino Unido, mostraram que, tantos os humanos como os ratinhos que estão expostos a uma dieta pobre durante o período de gestação, são menos capazes de acumular gordura corretamente mais tarde na vida. O armazenamento de gordura nos locais apropriados do organismo é importante pois caso contrário estas acumulam-se em locais como o fígado e os músculos, onde podem mais facilmente conduzir à doença.

 

“Uma das formas que o nosso organismo tem em lidar com uma dieta moderna ocidental rica é armazenar as calorias em excesso nas células adiposas. Quando estas células não são capazes de absorver o excesso de gorduras, estas ficam depositadas noutros locais, como o fígado, onde são muito mais perigosas e podem levar à diabetes tipo 2, ”, revelou, em comunicado de imprensa uma das autoras do estudo, Anne Willis.

 

Os investigadores constataram que este processo é controlado por uma molécula denominada miR-483-3p. O estudo revelou que esta molécula era produzida em níveis mais elevados nos indivíduos que tinham sido expostos a uma dieta pobre no útero das suas mães do que aqueles que foram melhor alimentados.

 

Experiências realizadas em ratinhos também mostraram que uma dieta pobre em proteínas durante a gravidez conduzia a níveis mais elevados da miR-483-3p nas crias. Isto conduziu ao desenvolvimento de células adiposas mais pequenas, tornando-as menos capazes de armazenar gordura durante a idade adulta. Estes ratinhos tinham menos risco de ficar com excesso de peso quando alimentados com uma dieta muito calórica, mas estavam em maior risco de desenvolver diabetes.

 

Os investigadores também verificaram que a miR-483-3p se encontrava em níveis elevados em pessoas que tinham nascido com baixo peso à nascença e que esta suprime uma proteína chamada GDF3. Descobriram que neste grupo de adultos, a proteína GDF3 estava presente em apenas cerca de 30% dos níveis encontrados nas pessoas nascidas com peso normal.

 

"Melhorar a dieta das pessoas e encorajar a prática de exercício físico é claramente a melhor forma de combater a epidemia da diabetes que está a afetar nossa sociedade. Contudo, algumas pessoas correm o risco de desenvolver esta doença apesar de não estar visivelmente com excesso de peso. Estes resultados permitirão ajudar as pessoas a tomar medidas preventivas para reduzir a sua probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2”, conclui uma das autoras do estudo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.