Nutrição é um fator-chave para os doentes com cancro

Portugal tem pouca formação nesta área

02 março 2015
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A nutrição é um fator-chave para os doentes com cancro, uma vez que pode ajudar a tolerar os tratamentos e a aumentar o potencial para um prognóstico mais favorável da doença. Contudo, ainda existe pouca formação específica nesta área em Portugal.
 

A professora e investigadora Paula Ravasco explicou à agência Lusa que a nutrição em oncologia é uma área “deficitária em termos de formação específica”, ao contrário de outros países que já há alguns anos apostam fortemente nesta área de formação específica.
 

A coordenadora do curso de formação avançada em Nutrição em Oncologia, que teve início na semana passada na Universidade Católica Portuguesa, referiu que, por outro lado, há muita informação disponível para a população em geral sobre as questões da nutrição em oncologia.
 

Esta é muitas vezes informação não suportada por evidência científica e que, inevitavelmente, acaba por influenciar as escolhas alimentares dos doentes.
 

Alguns estudos têm demonstrado que a nutrição adequada pode ser um fator terapêutico adjuvante durante o tratamento da doença oncológica. Contudo, a intervenção nutricional deve ser feita de forma individualizada, tendo em conta os hábitos e preferências dos doentes, o tipo de tumor e o tipo de tratamento a que o doente vai ser submetido.
 

De acordo com Paula Ravasco, é desaconselhado que os doentes iniciem a toma de suplementos, independentemente da sua composição, sem supervisão médica. A investigadora referiu que muitas das substâncias que podem ser tomadas sem supervisão ou prescrição médica, além de poderem não ter qualquer efeito na doença, podem mesmo ser prejudiciais.
 

Deste modo, a intervenção nutricional deve ser feita envolvendo todos os profissionais que tratam o doente, desde médicos, a enfermeiros e nutricionistas.
 

Paula Ravasco frisou que a nutrição individualizada é um fator-chave para um melhor prognóstico, uma vez que pode “modular o efeito dos tratamentos antineoplásicos”, tornando-os mais eficazes, “aumentando o potencial para um prognóstico mais favorável”.
 

Dados científicos internacionais mostram que uma nutrição adequada em conjunto com estilos de vida saudáveis são capazes de prevenir cerca de 40% a 50% dos cancros a nível mundial.
 

O que conta é a alimentação como um todo, a que consiga veicular os nutrientes essenciais nas proporções certas para cada pessoa – e não um único alimento: “De facto o mais relevante na prevenção e terapêutica da doença é o conjunto equilibrado entre alimentação e estilos de vida”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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