Nunca se deve tomar uma decisão quando se tem fome

Estudo publicado na revista “Neuropsychopharmacology”

11 maio 2016
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A hormona grelina, que é libertada antes das refeições e conhecida por aumentar o apetite, tem um efeito negativo na tomada de decisões e no controlo dos impulsos, atesta um estudo publicado na revista “Neuropsychopharmacology”.
 

A impulsividade é complexa, mas pode ser dividida numa ação impulsiva (incapacidade de resistir a uma ação motora) e escolha impulsiva (incapacidade para adiar uma recompensa). Muitas pessoas já sentiram, por certo, a dificuldade em resistir a uma sande ou petisco, mesmo sabendo que o jantar estava quase pronto.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, treinaram ratinhos para que estes fossem recompensados com açúcar, quando pressionavam uma alavanca (sinal para avançar). Por outro lado, os animais também eram recompensados quando resistiam a pressionar a alavanca (sinal para não avançar). Os ratinhos aprenderam estas ações repetidamente através de um determinado sinal, nomeadamente, um clarão de luz ou um som que informava que ação deviam adotar para receber a recompensa.
 

A incapacidade para resistir a pressionar a alavanca, quando o sinal para avançar é dado, é um sinal de impulsividade. Os investigadores, liderados por Karolina Skibicka, constataram que os ratinhos aos quais foi administrada grelina diretamente no cérebro, que simula como o estômago nos humanos notifica a necessidade de comer, eram mais propensos a pressionar a alavanca em vez de esperar, apesar de saberem que não iam receber a recompensa.
 

A capacidade de adiar a gratificação com o intuito de obter uma maior recompensa mais tarde é uma medida comparável de escolha impulsiva (decisão). Isto pode ser ilustrado por opções, como comer um único biscoito agora ou vários se esperar alguns minutos, ou comer em excesso alimentos de alto teor calórico para ter uma sensação imediata de prazer, não tendo em conta os benefícios a longo prazo de comer menos ou comer saudável.
 

As pessoas que escolhem a gratificação imediata são mais impulsivas, o que implica uma menor capacidade de tomar decisões racionais.
 

Os investigadores apuraram que níveis elevados de grelina impediam os ratinhos de esperar por uma maior recompensa, tendo posteriormente avaliado se esta hormona afetava a impulsividade. O estudo apurou que restringir os efeitos da grelina à área tegmental ventral (uma parte do cérebro importante no sistema de recompensa) foi suficiente para tornar os ratinhos mais impulsivos. Por outro lado, quando a grelina foi bloqueada este tipo de comportamento foi drasticamente reduzido. Mesmo um curto tempo de jejum, uma forma mais natural de aumentar os níveis de grelina, aumentou o comportamento impulsivo.
 

A impulsividade é uma característica de muitas doenças neuropsiquiátricas e comportamentais, como o distúrbio do défice de atenção e hiperatividade, distúrbio obsessivo compulsivo, perturbações do espectro autista, abuso de drogas e distúrbios alimentares.
 

Os investigadores concluem que os recetores da grelina no cérebro podem ser, no futuro, um possível alvo de tratamento de doenças psiquiátricas caracterizadas por problemas de impulsividade e mesmo distúrbios alimentares.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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