Número de mortes por diabetes diminui em Portugal
14 novembro 2001
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Pela primeira vez nos últimos 17 anos, o número de mortes por diabetes diminuiu em Portugal. O ano passado, a doença que afecta entre 400 a 500 mil portugueses matou 3138 pessoas, menos sete por cento do que em 1999. Hoje, dia mundial da doença, especialistas internacionais e nacionais alertam que a diabetes fará crescer o número de vítimas por problemas cardíacos.
 

 

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a tendência de aumento constante do número anual de mortos verificada desde 1983 se inverteu no ano passado. Apesar disso, outras tendências se mantêm: quase 90 por cento das vítimas tinham entre 60 e 89 anos e a maioria eram mulheres.
 

 

Contactado pelo PÚBLICO, Gardete Correia, responsável médico da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), diz que uma das explicações para a redução da mortalidade está na "implementação do Programa Nacional de Luta Contra a Diabetes, que permitiu um maior controlo e tratamento da doença por parte dos doentes e uma maior sensibilização dos profissionais".
 

 

O clínico lembra, no entanto, que o número real de mortes tem estado aquém da realidade, já que, por exemplo, "há muitos doentes a morrer por enfarte de miocárdio, motivado pela diabetes, que não são mencionadas como tal nas estatísticas".
 

 

E são exactamente as mortes por doença cardíaca que deverão aumentar devido à doença nos próximos anos, alertam os especialistas internacionais.
 

 

"A epidemia mundial de diabetes, que, daqui a 25 anos, poderá afectar 300 milhões de pessoas [em todo o mundo], trará consigo uma aumento considerável das doenças cardiovasculares", diz a Federação Internacional da Diabetes, que em conjunto com a Organização Mundial da Saúde organiza este dia, dedicado às ligações perigosas entre a doença e os problemas do coração.
 

 

Um diabético tem duas a quatro vezes mais probabilidades de sofrer de uma doença cardíaca, como o enfarte. A doença crónica, que surge quando o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente ou não a utiliza de forma adequada, arrasta também consigo um risco acrescido de paragem cardíaca, acidente vascular cerebral ou morte súbita. "A diabetes é já a primeira causa de morte por enfarte do miocárdio em pessoas com menos de 40 anos", diz Gardete Correia.
 

 

O número de doentes não dependentes de insulina - que sofrem de diabetes do tipo 2 - não cessa de aumentar e afecta pessoas cada vez mais jovens. A explicação está no sedentarismo, no excesso de peso, numa alimentação rica em gordura e no envelhecimento das populações. Hoje, na sede da APDP em Lisboa, e na presença do ministro da Saúde, um especialista falará sobre as formas de evitar os problemas cardíacos relacionados com a diabetes.
 

 

Fonte: Público
 

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