Nudismo é sinónimo de preconceito?

Apregoam práticas naturistas, mas afinal também criticam

22 outubro 2001
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A tarde está magnífica. O sol brilha e erradia todo o extenso areal. Numa praia destinada a nudistas, reina a calma e som das ondas. As pessoas expõem o corpo nu à forte luz do dia.
 

 

Para os que preconizam os hábitos naturistas, esta é uma imagem que transpira bem estar. Mais do que despir a roupa, praticar nudismo deveria ser sinónimo de despir preconceitos. Mas não é bem assim. Quem aprecia os passeios de «rabo ao léu» pelas praias, também gostam de criticar os rabiosques dos companheiros de veraneio.
 

 

Ellen Woodall, antropóloga da Universidade da Flórida, EUA, estudou os comportamentos dos nudistas dos belos areais de Miami. A análise revelou que as pessoas tendem a ter um comportamento semelhante ao que mantêm no dia-a-dia. Problemas sexuais, diferenças sociais, coscuvilhices sobre peso, flacidez e aumento dos «dotes pessoais» fazem as delícias das conversas entre nudistas.
 

 

Com ou sem roupa, os tópicos de assunto são os mesmos. «Os nudistas sempre se consideram progressistas, mas a prática do nudismo falha ao apregoar o ideal de que todos sejam tratados da mesma forma, independentemente da posição social ou forma do corpo», critica a investigadora.
 

 

Na verdade, ao longo de 15 anos de praticas de nudismo, Ellen diz-se uma verdadeira conhecedora do meio. Para este estudo particular, a antropóloga trabalhou num parque de nudistas durante dois Verões .
 

 

Na prática, Ellen constatou de tudo um pouco. «Observei a formação de grupinhos, homens que comentavam ou gozavam com a obesidade de determinadas mulheres, mulheres que riam do tamanho dos órgãos sexuais de um homem, comentários sexuais e assédio sexual - todas as actividades que poderiam ser testemunhadas na sociedade».
 

 

Ellen apresenta este trabalho como um estudo, mas as conclusões parecem puras criticas aos valores apregoados pelos naturistas. Segundo a autora, o nudismo evoluiu desde os anos 20, nos Estados Unidos, quando os parques apareceram como um movimento alternativo que anualmente rendia cerca de 400 milhões de dólares.
 

 

Apesar de sua aspiração de abertura social, o nudismo também passou a aplicar as mesmas regras sociais e discriminações do quotidiano social. Segundo a autora, a maioria dos praticantes são brancos, de classe média e com bom nível educacional. «Os participantes não são uma representação de toda a sociedade norte-americana», assegura a investigadora. E conclui: «As pessoas praticam nudismo porque consideram uma libertação, mas o movimento está bastante baseado na tradição».
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

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