Novos transplantes levantam problemas éticos

Questões de vida e de morte

21 março 2001
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Médicos suecos conseguiram transplantar o pulmão de um homem que sofreu um ataque cardíaco para uma mulher que sofria de um estado terminal de doença crónica obstrutiva pulmonar (DCOP). Embora os transplantes pulmonares não sejam novidade, as circunstâncias deste caso levantaram várias questões éticas.
 

 

O dador foi considerado morto depois de os médicos não o terem conseguido reanimar após o ataque cardíaco. Este tipo de dadores são aqueles cujo coração parou, contrariamente àqueles que são declarados mortos por término da actividade cerebral (morte cerebral).
 

 

As questões que se levantam vão desde a de saber se a necessidade de obter um órgão fresco para transplante não influencia o empenho com que os médicos tentam reanimar o paciente até a de determinar se um orgão está suficientemente viável para poder trabalhar eficazmente no seu receptor.
 

 

É que, ao contrário dos casos de pessoas que não têm actividade cerebral e estão declaradamente mortas mas cujos órgãos estão ainda em bom estado e mantidos funcionais artificialmente, o tempo é crítico em pacientes cujo coração parou.
 

 

Os médicos suecos, para tentar resolver este problema, desenvolveram uma técnica que consiste na preservação, por circulação de líquidos intravenosos frios, do pulmão de um potencial dador, por várias horas após o seu coração ter parado de bater. Este método mostrou-se eficaz na preservação de um pulmão transplantado numa mulher de 54 anos que sofria de DCOP severa que funciona eficazmente cinco meses após o transplante.
 

 

Antes de tentar alguma coisa, a equipa médica consultou profissionais de saúde, o clero, juízes e o público em geral para chegarem a um consenso ético. Foi considerado, segundo este inquérito, não-ética qualquer operação a um corpo até 1 hora após o coração ter parado, mas a preservação pelo frio do pulmão "deve ser considerado aceitável".
 

 

A questão, segundo especialistas contactados pela Reuters, é, no interesse de salvar um órgão, "quanto" tentam os médicos salvar um paciente? Porém, especialistas fazem notar também que a equipa que trata e tenta salvar o paciente é, ou deve ser, diferente daquela que vai transplantar o órgão.
 

 

Recentes escândalos no Reino Unido em que médicos retiravam órgãos e partes do corpo de crianças mortas sem a autorização dos pais veio aumentar o cepticismo do público no que diz respeito a transplantes.
 

 

Questões como estas podem tornar o público, já pouco predisposto a ceder os seus órgãos, a ficarem ainda mais cépticos e a agravar-se a situação de falta de órgãos para transplante.
 

 

Em alguns centros hospitalares dos EUA, a falta de órgãos para transplante e as enormes listas de espera fazem com que estes optem por retirar órgãos a pacientes cujo coração parou de bater.
 

 

Adaptado por
 

Helder Cunha Pereira
 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Reuters

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