Novos tecidos cirúrgicos reutilizáveis desenvolvidos por investigadores portugueses

Primeiros testes são animadores

18 janeiro 2002
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Uma equipa de cientistas portugueses e alemães apresentou ontem na Faculdade de Medicina do Porto aquilo a que chamam «a nova geração de têxteis cirúrgicos reutilizáveis». Na prática, eles desenvolveram um novo tecido trilaminado, impermeável aos líquidos e aos germes, para a confecção de batas e campos operatórios reutilizáveis, substituindo assim as «velhas» batas de algodão.
 

 

O novo tecido já é usado na Alemanha e em Portugal os testes ao novo produto foram realizados no Hospital da Prelada, no Porto, em 1445 operações - os resultados foram animadores. O novo tecido foi desenvolvido com materiais reutilizáveis de nova geração, contendo uma membrana que lhe concede um efeito barreira aos microrganismos, com resistência acrescida aos processos de lavagem e esterilização.
 

 

Tudo estaria bem não fosse a alteração, ainda este ano, das normas europeias nesta área que vai proibir o uso de batas de algodão por não assegurarem a protecção adequada quer aos médicos quer aos doentes e por libertarem partículas. Apesar de eficientes em termos técnicos, as batas e os campos operatórios descartáveis têm como inconveniente o facto de produzirem um significativo volume de resíduos hospitalares, normalmente destruídos por incineração. «As novas batas aguentam noventa ciclos de utilização, o que quer dizer que mesmo lavadas e esterilizadas noventas vezes, continuam em condições de ser usadas», explicou Luís Almeida ao jornal Público.
 

 

Composta por uma camada de malha poliéster, uma membrana impermeável aos líquidos e uma nova camada de malha, a bata é, de acordo com os autores do projecto, «respirável» e garante a «protecção entre o doente e a equipa cirúrgica e vice-versa».
 

 

De resto, uma das razões apontadas por Luís Almeida para a importância do novo tecido tem precisamente a ver com questões de segurança. «Nos países da União Europeia realizam-se mais de trinta milhões de cirurgias por ano, estimando-se que uma percentagem significativa entre elas conduzem a infecções, que levam, muitas vezes, ao prolongamento da estadia do doente no hospital, podendo até, ocasionalmente, provocar a morte», salientou o cientista.
 

 

Fonte: Público

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