Novos fármacos de quimioterapia: importante considerar peso do paciente

Estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”

04 julho 2019
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Uma equipa de investigadores aconselha os médicos a terem em consideração o peso e estado do fígado do paciente antes de prescreverem uma nova e promissora classe de fármacos de quimioterapia.  
 
A nova classe de fármacos, conhecida como inibidores de PI3K, está para entrar no mercado e bloqueia dramaticamente a ativação de uma via de sinalização usada pelas células cancerígenas para sobreviverem e se replicarem. 
 
Os investigadores da Universidade de Illinois, em Chicago, EUA, conduziram um estudo em ratinhos, cujos resultados sugerem que os inibidores de PI3K em pacientes obesos podem causar um aumento de lesões pré-cancerígenas no pâncreas.
 
“Sabemos que inibir esta via de sinalização pode fazer com que as células cancerígenas morram e as lesões diminuam, mas em ratinhos manipulados para desenvolverem cancro do pâncreas e alimentados com uma dieta em que cerca de metade das calorias veio de gordura, inibir a via de sinalização de PI3K levou ao desenvolvimento de mais lesões pancreáticas do que o mesmo tipo de ratinhos alimentados com uma dieta mais equilibrada”, disse Paul Grippo, investigador no estudo.
 
Para o estudo, Paul Grippo e colegas manipularam ratinhos para desenvolverem cancro do pâncreas. Metade dos ratinhos foram ainda manipulados para terem a via de sinalização de PI3K silenciada.
 
Como resultado, 20% do pâncreas dos ratinhos com a via de sinalização de PI3K silenciada apresentou lesões pré-cancerígenas. Nos ratinhos com a via PI3K funcional, foi detetado o dobro de lesões pré-cancerígenas.
 
Segundo Paul Grippo, este resultado não foi surpreendente “dado que conhecemos a função desta via de sinalização em ajudar a promover o crescimento de células cancerígenas noutros cancros”.
 
Posteriormente, a equipa alimentou os mesmos ratinhos com uma dieta normal ou uma dieta rica em gordura, em que 50% das calorias vinham de gordura. Nos ratinhos com a dieta rica em gordura, 50% do pâncreas apresentava lesões pré-cancerígenas.
 
“Parece que a dieta rica em gordura não só obliterou o efeito protetor de silenciar a via de sinalização PI3K, mas até encorajou mais lesões pré-cancerígenas a formarem-se”, indicou Paul Grippo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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