Novos desenvolvimentos no domínio dos alimentos funcionais

Lixos agro-industriais aproveitados para melhorar alimentos

13 dezembro 2001
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Enriquecer alimentos ou bebidas a partir de lixos agro- industriais como o carolo de milho ou as aparas de eucalipto pode parecer um processo milagroso mas é o resultado de um projecto europeu liderado por investigadores portugueses.
 

 

O consórcio europeu, liderado pelo INETI (Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial), desenvolveu uma nova tecnologia para a obtenção de ingredientes alimentares funcionais.
 

 

Ainda que a designação pareça remeter para substâncias desconhecidas, os alimentos ou bebidas funcionais já fazem parte do quotidiano de todos aqueles que consomem alimentos como leites ou sumos enriquecidos com fibras, manteigas «pró-activas» ou iogurtes que anunciam ter «bifidus activos».
 

 

Francisco Gírio, investigador no INETI e responsável por este projecto, em declarações à Lusa explicou que os «alimentos funcionais são produtos aos quais foi adicionado um ingrediente que comprovadamente promove o bem estar e a saúde humana ou previne doenças».
 

 

O consórcio europeu, denominado XYLOPHONE, conseguiu desenvolver uma nova forma de produzir um tipo de ingrediente, os oligossacáridos, sob a forma funcional, com vantagens em relação aos existentes no mercado.
 

 

Segundo Francisco Gírio, os oligossacáridos são açúcares solúveis que, entre outros efeitos, estimulam a actividade da flora bacteriana benéfica do intestino (nomeadamente as bifidobactérias e os lactobacillus), reduzindo a presença de espécies bacterianas potencialmente patogénicas e indutoras de doenças como o cancro do cólon.
 

 

Além disso, os oligossacáridos são uma fonte de doçura que contém quatro vezes menos calorias que a sacarose e não provocam cáries dentárias.
 

 

Estas tecnologia inovadora desenvolvida pelo consórcio baseia-se na remoção do xilano, presente em subprodutos alimentares como o farelo de trigo, a dreche cervejeira, o carolo de milho ou aparas de madeira de eucalipto, através de um tratamento hidrotérmico a pressões elevadas.
 

 

«Os oligossacáridos obtidos por este processo, após um passo de recuperação e remoção de impurezas, podem ser directamente utilizados como ingrediente alimentar funcional», explicou Francisco Gírio.
 

 

Segundo este investigador, os oligossacáridos desenvolvidos a partir desta técnica (designados por xilo-oligossacáridos) apresentam vantagens em relação aos já existentes no mercado, os fructo-oligossacáridos, comercializados por uma empresa belga.
 

 

De acordo com Francisco Gírio, este além deste processo aproveitar resíduos existentes em abundância no nosso país e promoverem a sustentabilidade industrial, os xilo-oligossacáridos apresentam maior estabilidade ao pH e às temperaturas altas.
 

 

Ou seja, estes ingredientes funcionais inovadores na Europa podem, ao contrário dos fructo-oligossacáridos, ser utilizados na área das «soft-drinks» (como as colas ou refrigerantes) e das marmeladas e compotas (alimentos com graus de acidez elevados).
 

 

Quanto aos custos de produção, são sensivelmente os mesmos que os dos fructo-oligossacáridos ou até ligeiramente mais baixos, rondando os 2 euros (400 escudos) por quilograma.
 

 

Em Portugal, já foram submetidos dois pedidos de patente e, segundo Francisco Gírio, vender a patente a uma empresa produtora de ingredientes alimentares poderá ser a forma mais rápida e viável de implementar esta tecnologia no mercado.
 

 

MNI – Médicos Na Internet

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