Novos dados sobre bactéria que protege da dengue

Estudo publicado na revista “PLOS Genetics”

18 dezembro 2013
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Investigadores portugueses descobriram que uma bactéria que protege insetos de doenças pode ter uma “variabilidade genética” que pode ser utilizada para controlar doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e malária.
 

O investigador Luís Teixeira, do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), , explicou à Lusa que a equipa que dirige estudou a interação da bactéria com o seu hospedeiro natural (insetos, no caso concreto a mosca da fruta) tendo concluído que há diversos tipos de bactérias, que protegem o hospedeiro em maior ou menor grau.
 

O estudo, publicado na revista científica “PLOS Genetics” apurou ainda que as bactérias que mais protegem são também as que possivelmente mais rapidamente “matam” o hospedeiro. Esta descoberta pode levar a escolher a “bactéria ótima” para ajudar a combater doenças como a dengue, mas também a malária ou outras transmitidas pelo mosquito.
 

De acordo com um comunicado do IGC, ao qual à agência Lusa teve acesso, tudo gira à volta de uma bactéria que reside naturalmente em 70 % dos insetos (nunca em mamíferos, segundo Luís Teixeira), chamada “Wolbachia”.
 

Estudos anteriores, levados a cabo pela mesma equipa de investigadores, já tinham constatado que a “Wolbachia” protege os hospedeiros de infeções virais. Protegendo por exemplo um mosquito de vírus como o dengue. Esse mosquito, ao picar um ser humano, também tem menos probabilidade de o infetar.
 

Desde o século passado que se recolhe e analisam diferentes tipos de moscas da fruta, permitindo identificar cinco estirpes de “Wolbachia”, que foram estudadas pelos investigadores do IGC. A conclusão foi que algumas variantes da bactéria protegem melhor as moscas das infeções virais e que, precisamente essas, faziam com que as moscas morressem mais cedo. Ao contrário, as variantes menos protetoras também eram mais benignas para a mosca.
 

“Estes resultados ajudam a compreender a evolução da ´Wolbachia´ na natureza e abrem caminho para a identificação das melhores estirpes a serem utilizadas no biocontrolo de doenças transmitidas por mosquitos”, diz o Instituto.
 

Conhecer melhor a forma como a bactéria evolui, e disseminando “a bactéria ótima”, pode-se combater a dengue e outras doenças, disse Luís Teixeira.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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