Novos avanços no tratamento da demência

Estudo publicado na “eLife”

08 abril 2015
  |  Partilhar:
Cientistas de Singapura revelam ter descoberto uma nova forma de tratamento da demência utilizando impulsos elétricos em áreas específicas do cérebro com o intuito de estimular o desenvolvimento de novas células cerebrais.
 
A estimulação cerebral profunda é uma técnica terapêutica utilizada no tratamento de condições do sistema nervoso, tais como, tremores ou distonia, caracterizadas por contrações e espasmos musculares involuntários.
 
Investigadores da Universidade Tecnológica de Nanyang, Singapura, descobriram que este procedimento terapêutico poderia ser usado para estimular o desenvolvimento de células cerebrais, mitigando, desta forma, os efeitos perniciosos das condições relacionadas com a demência e melhorando a memória, tanto de curto como de longo prazo.
 
As células cerebrais, denominadas neurónios, morrem constantemente e são recorrentemente substituídas por outras novas. A área do cérebro responsável por gerar novos neurónios é conhecida como hipocampo. Esta área encontra-se também envolvida na formação, organização e retenção da memória.
 
Para a investigação, levada a cabo pelos cientistas de Singapura, foram usados ratinhos de meia-idade. Nos cérebros destes ratinhos foram implantados elétrodos que enviam impulsos microelétricos curtos. Os ratinhos foram submetidos a testes de memória tanto antes como depois da estimulação, tendo registado resultados positivos em termos de retenção de memória mesmo após 24 horas.
 
“Vários estudos têm demonstrado que tanto o cérebro como os sistemas de memória dos ratinhos são muito semelhantes aos dos humanos”, esclarece Ajai Vyas, da Universidade de Nanyang.
 
Ao estimular a parte frontal do cérebro, conhecida como córtex pré-frontal, são formadas novas células no hipocampo, apesar de este não ser diretamente estimulado.
 
Este aumento de neurónios resulta numa redução da ansiedade e da depressão, além de melhorar a aprendizagem, assim como a formação e retenção de memória.
 
De acordo com os investigadores, não foram detetados quaisquer efeitos negativos tanto nos ratinhos submetidos à experiência, nem existem evidências de efeitos adversos em humanos que tenham recebido estimulação do córtex pré-frontal.
 
Este achado abre perspetivas para novos tratamentos a doentes que sofram de perda de memória resultante de condições relacionadas com a demência, tais como o Alzheimer ou Parkinson.
 
De acordo com Ajai Vyas, “cerca de 60% dos pacientes não responde aos habituais tratamentos com antidepressivos”, motivo pelo qual, acrescenta, “a nossa investigação abre novas portas para opções de tratamento mais eficazes”.
 
“A perda de memória em pessoas mais velhas não é apenas um problema grave e recorrente, mas representa também um sintoma importante de demência. Pelo menos uma em cada dez pessoas com mais de 60 anos em Singapura sofre de demência e esta descoberta poderá abrir caminho para melhores tratamentos para os doentes”, afirma Lee Wei Lim, um dos autores do estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.