Novos avanços no estudo da regeneração

Estudo publicado na revista “Development”

04 setembro 2012
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Cientistas do Stowers Institute for Medical Research, nos EUA, descreveram, num artigo publicado na revista científica “Development”, de que forma células estaminais pluripotentes se mobilizam em planárias (pequenos seres invertebrados com forma achatada) com lesões de forma a compreender melhor o comportamento de células estaminais ao nível da regeneração.


Todos os dias a nossa pele, sangue e até o revestimento intestinal se regeneram. No entanto, é nas planárias que o poder regenerador das células estaminais se manifesta de forma mais evidente, tornando esta espécie conhecida pela sua capacidade de reconstruir qualquer parte do seu corpo. A equipa de cientistas, liderada por Alejandro Sánchez Alvarado, descobriu que as células estaminais deste verme, designadas neoblastos, deslocam-se, multiplicam-se e começam a reconstruir os tecidos amputados.


As células estaminais têm a capacidade de fornecer uma fonte inesgotável de células especializadas que podem ser usadas para o tratamento regenerativo de um vasto número de doenças. O grande desafio consiste em fazer com que as células estaminais consigam chegar ao local do corpo onde, de facto, são precisas.


A capacidade de seguir os neoblastos poderá explicar que pistas moleculares poderão contribuir para que as células estaminais das planárias consigam viajar até ao local da lesão.


No âmbito desta investigação, os cientistas expuseram a planária S. mediterranea a radiação, matando os neoblastos sem danificar outros tipos de células. Os vermes que foram submetidos a radiação morreriam passadas semanas a não ser que fossem transplantadas algumas células estaminais de outro verme. As células estaminais transplantadas, reconhecendo a presença de uma ferida – o local do transplante –, migravam e multiplicavam-se, salvando o hospedeiro. Ao contrário das células estaminais adultas nos humanos e mamíferos, as células estaminais das planárias provaram manter-se pluripotentes em animais adultos, mesmo depois de transplantadas.


Os investigadores experimentaram também submeter apenas uma parte do corpo do verme a radiação e verificaram que as células estaminais sobreviventes não conseguiam detetar a lesão e, por isso, não se mobilizavam para regenerar a zona lesionada. Assim, concluiu-se que as células estaminais, por norma, ficavam imóveis. Apenas quando uma quantidade razoável de tecido era submetido a radiação é que as células estaminais migravam em direção à zona lesionada e davam início ao processo de regeneração.


Ao longo destas experiências, ficou provado que as células estaminais pluripotentes podem movimentar-se e produzir diferentes tipos de células sem perder o seu potencial de se transformarem noutras células.


O que move investigadores como Alejandro Sánchez Alvarado a investigar a regeneração e o potencial das células estaminais pluripotentes é procurar respostas para perguntas como “Por que razão existem animais capazes de regenerar partes inteiras do seu corpo e nós, humanos, ainda não o fazemos? Será que conseguimos eliminar células cancerosas do corpo humano e ao mesmo tempo criar propriedades regenerativas?”


São respostas que todos nós gostaríamos de ver respondidas.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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