Novos achados sobre os efeitos da radioterapia após a remoção da próstata

Estudo realizado pela Escola de Medicina de Virgínia

26 março 2015
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A comunidade médica tem-se mostrado dividida em relação à questão da radioterapia como tratamento do cancro da próstata. A maioria dos radioterapeutas defende a radioterapia adjuvante – em que o paciente é submetido ao tratamento logo após a remoção da próstata para matar as células cancerígenas que tenham restado. Pelo contrário, grande parte dos urologistas preferem a radioterapia de resgate. Neste caso, a radioterapia é adiada o mais possível e normalmente só é realizada se os testes de PSA (antigénio prostático específico) demonstrarem a sua necessidade. Ou seja, os urologistas têm tendência para adiar a radioterapia adjuvante por quererem evitar os seus efeitos secundários e os radioterapeutas costumam defender a radioterapia adjuvante por recearem que o paciente desenvolva metástases.


Dois novos estudos levados a cabo pela Escola de Medicina de Virgínia vêm contrariar a ideia de que é melhor adiar a radioterapia tanto tempo quanto possível e de que esta só deve ser realizada após a remoção da próstata com vista a evitar efeitos adversos indesejáveis.


O oncologista Timothy N. Showalter, do Centro de Cuidados UVA, afirma que, ainda que seja comummente aceite que a incontinência urinária e a função erétil são mais afetadas quando a radioterapia é iniciada precocemente, a sua investigação demonstra que não há evidências do efeito protetor da radioterapia retardada.


Showalter decidiu dedicar-se a esta questão, porque sentia que havia poucos factos sobre os efeitos da radioterapia e queria poder fornecer dados concretos sobre os efeitos secundários da radioterapia após a prostatectomia que pudessem vir a ajudar os médicos a escolher o melhor tratamento.


Os resultados tiveram por base a análise de 16.000 casos. O autor concluiu que a radioterapia após uma prostatectomia aumenta consideravelmente os problemas gastrointestinais e geniturinários. No entanto, também demonstrou que adiar este tratamento não oferece benefícios reais e pode até aumentar os problemas gastrointestinais. A investigação também revelou que a radioterapia adjuvante não aumenta as taxas de disfunção erétil.


Showalter sugere, por isso, a todos os homens que estejam a receber tratamento para o cancro da próstata que discutam a melhor estratégia com os seus médicos para o seu caso em particular. Se têm baixo risco de vir a ter uma recidiva e se encontram num estádio da doença pouco avançado, então talvez seja adequada a terapia de resgate. Se, pelo contrário, há fortes motivos para o paciente ser submetido a radioterapia, então não fará sentido adiar o tratamento com base na crença de que isso servirá para evitar complicações. De acordo com estes estudos, quanto mais cedo for administrada a radioterapia, mais esta será eficaz e mais hipóteses de cura terá o paciente.


ALERT Life Sciences Computing, S.A. 

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