Novo tratamento para a vasculite evita infertilidade e cancro

Estudo publicado no “New England Journal of Medicine”

18 julho 2010
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Pela primeira vez em 40 anos, há uma alternativa para o tratamento de uma forma de vasculite severa: a vasculite associada ao anticorpo anti-citoplasma do neutrófilo (ANCA). O rituximab, que já era utilizado no tratamento do linfoma das células B e da artrite reumatóide, mostrou-se tão eficaz a combater a doença quanto a ciclofosfamida, o fármaco até agora usado. Para além disso, os investigadores acreditam que o rituximab apresenta um menor risco relativamente às complicações provocadas pela ciclofosfamida, nomeadamente no desenvolvimento de cancro, infecções e infertilidade, revelou um estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.

 

Os pacientes que sofrem de vasculite associada ao ANCA produzem anticorpos que atacam um tipo de células imunes denominadas de “neutrófilos”, causando inflamação nos vasos sanguíneos e danos em alguns tecidos e órgãos, particularmente no pulmão e no rim.

 

Até à utilização do tratamento com ciclofosfamida, 90% dos pacientes diagnosticados com a vasculite associada ao ANCA morriam dentro de um período de três anos. Na década de 70, os médicos descobriram que a ciclofosfamida era extremamente eficaz no combate à doença. No entanto, na década seguinte, descobriu-se que esta eficácia tinha um elevado preço: a ciclofosfamida aumentava o risco de desenvolvimento de algumas doenças.

 

Neste estudo, os investigadores da Mayo Clinic e do Massachussetts General Hospital, nos EUA, contaram com a participação de 197 pacientes que sofriam de granulomatose de Wegener ou poliangeíte microscópica, os dois tipos mais comuns de vasculite associada ao ANCA. Aos pacientes foi aleatoriamente administrado ciclofosfamida ou rituximab.

 

Os investigadores constataram que, após seis meses de tratamento, 64% dos pacientes aos quais tinha sido administrado rituximab e 53% dos que tinham recebido ciclofosfamida apresentaram remissão da doença. Nos pacientes que tinham sofrido recaídas, o rituximab parecia ser ainda mais eficaz do que a ciclofosfamida na indução da remissão.

 

Em declarações à HealthDay, John H. Stone, primeiro autor da investigação, afirmou que “este estudo demonstrou pela primeira vez que há uma alternativa eficaz à terapia com ciclofosfamida para indução da remissão, e há vários resultados que nos fazem pensar que o rituximab deve ser o tratamento de eleição para indução da remissão". Por seu turno, Robert Spiera, reumatologista do Hospital for Special Surgery, em Nova Iorque, acrescentou que o tratamento com rituximab se aplica especialmente a “mulheres em idade fértil, que têm uma grande probabilidade de perder a sua fertilidade”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A
 

 

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