Novo tratamento para a Leucemia

Esperança de tratamentos mais simples e eficazes

05 abril 2001
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Um fármaco experimental que tem como alvo um erro genético que está na origem da Leucemia Mieloide Crónica (LMC) revela possuir eficácia e segurança suficientes para ser alvo de um alargado estudo terapêutico.
 

 

A revista da especialidade “The New England Jornal of Mecicine” (ano 2001, vol. 344 pág. 1031-1042, 1052-1056, 1084-1086) apresenta hoje 2 estudos realizados pelo Dr. Brian J. Druker da Universidade de Ciências da Saúde de Portland (EUA) com o fármaco Glivec.
 

 

Segundo este investigador, “agora que o mapa genético da espécie humana foi revelado será possível identificar outras mutações causadoras de cancro e desenvolver medicamentos especificos para as combater.”
 

 

O “cromossoma Filadélfia” descoberto em 1960 é uma das causas de LMC. Nos pacientes portadores deste “defeito” genético há uma troca do material cromossómico (translocação recíproca) entre os cromossomas 9 e 22 (mas podendo envolver mais cromossomas – translocações variáveis), o que resulta na produção excessiva de uma proteína conhecida pelas iniciais BCR-ABL. Esta enzima é responsável pelo aumento de produção dos glóbulos brancos o que está na origem deste tipo de Leucemia.
 

 

O transplante de medula é o único tratamento eficaz na cura da LMC, mas nem todos os doentes são elegíveis por não se encontrar um doador compatível, para além desta terapêutica apresentar muitas vezes complicações fatais a longo prazo. O interferão alfa, um fármaco usado em alguns pacientes com esta patologia, também apresenta efeitos secundários importantes. Além disso, a maioria dos doentes torna-se eventualmente resistente ao interferão.
 

 

Glivec, originalmente conhecido como STI-571, foi desenhado para bloquear a enzima BCR-ABL, especificamente a porção ABL desta proteína. E já foi apresentada à Food and Drug Administration norte-americana para ser aprovada.
 

 

No primeiro estudo a 83 pacientes com LMC que não melhoraram com a terapêutica clássica, as análises sanguíneas normalizaram em 4 a 6 semanas em 53 dos 54 doentes submetidos a uma terapêutica com 300 mg (ou superior) de Glivec. O número de células leucémicas na medula óssea diminuiu substancialmente em mais de metades deste grupo de doentes, e 13% tiveram uma remissão total.
 

 

Para o segundo estudo foram seleccionados indivíduos num estádio mais avançado da LMC e que não tinham respondido à terapêutica convencional. Mais de metade respondeu ao tratamento e cerca de 11% conseguiram também uma remissão total. Contudo a maioria destes pacientes que inicialmente responderam ao Glivec tiveram recaídas.
 

 

Esta terapia, para além de revelar resultados animadores, e ao contrário das “terapias standard“, é de fácil administração por se tratar de um simples comprimido e os seus efeitos secundários são de pouca relevância: náuseas, edemas, diarreias e mialgias.
 

 

Mas o follow-up dos pacientes ainda é muito curto e ainda não existem provas estatísticas de que o Glivec prolonga realmente a vida aos doentes com LMC. Por isso, durante os próximos tempos o transplante de medula óssea continuará a ser o tratamento de eleição para esta patologia.
 

 

Segundo os mesmos autores, esta droga poderá também revelar outras aplicações terapêuticas no campo da oncologia.
 

 

Adaptado por
 

David Ferreira
 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Reuters

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