Novo teste sanguíneo poderá prever sucesso do tratamento antidepressivo

Estudo realizado pela Loyola University Medical Center

20 dezembro 2011
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Um novo teste sanguíneo, que envolverá uma proteína conhecida por factor de crescimento endotelial vascular (VEGF), poderá prever se pacientes deprimidos estão a responder bem ao tratamento com um determinado antidepressivo, dá conta um estudo realizado pelos investigadores da Loyola University Medical Center , nos EUA.

 

Cerca de 60 % dos pacientes com depressão não respondem totalmente à primeira medicação prescrita. Consequentemente, os médicos têm que, muitas vezes, prescrever vários tratamentos diferentes até encontrar um que funcione. "Seria muito benéfico para os nossos pacientes se pudéssemos prever de antemão se um determinado medicamento é eficaz para um determinado paciente", revelou o primeiro autor do estudo, Angelos Halaris.

 

Este estudo, que foi apresentado no congresso anual da Society of Biological Psychiatry, contou com a participação de 35 indivíduos que tomavam escitalopram para o tratamento da depressão major. Os investigadores verificaram que 85% dos pacientes deprimidos, que tinham níveis mais elevados de factor de crescimento endotelial vascular no sangue, apresentaram melhorias parciais ou completas após a toma do antidepressivo. Em comparação, só 10% dos pacientes deprimidos que tinham níveis mais baixos do factor de crescimento endotelial responderam ao tratamento.

 

O escitalopram pertence ao grupo de antidepressivos conhecido por inibidores selectivos da recaptação da serotonina (ISRS). Os cientistas não têm a certeza por que é que os ISRS só funcionam em algumas pessoas. Alguns investigadores acreditam que os ISRS ajudam a restaurar o balanço químico no cérebro. Outros propuseram recentemente um segundo mecanismo conhecido por neurogénese. À luz deste mecanismo os ISRS ajudam na regeneração das células cerebrais, em locais específicos do cérebro que atrofiaram nos pacientes deprimidos.

 

Os resultados deste estudo apoiam esta última hipótese. O tratamento com escitalopram parece regenerar as células que se tornaram inactivas. Esta regeneração é alimentada pelo factor de crescimento endotelial vascular, que no cérebro estimula o crescimento de vasos sanguíneos e ajuda também a manter as células cerebrais saudáveis e activas.

 

Parece que em pacientes com níveis mais elevados de VEGF, houve maior regeneração, ajudando assim a reduzir a depressão. Por outro lado, nos pacientes com níveis mais baixos de VEGF, houve menor regeneração das células cerebrais e menos alívio da depressão.

 

Se esta descoberta for confirmada em estudos futuros, poderá conduzir à criação de um teste sanguíneo que poderá ajudar os médicos a personalizar o tratamento.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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