Novo teste pode prever risco de demência

Estudo publicado no “BMC Medicine”

25 janeiro 2016
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Investigadores do Reino Unido defendem que é possível avaliar o risco de demência através da análise da informação recolhida durante as visitas de rotina ao médico de família, dá conta um estudo publicado no “BMC Medicine”.
 

Para o estudo os investigadores da Universidade College London, no Reino Unido, contaram com a participação de 930.395 indivíduo sem registos prévios de demência, distúrbios cognitivos ou falhas de memória. Através da utilização dos registos clínicos dos pacientes, os investigadores desenvolveram um algoritmo que prevê o risco futuro de demência a cinco anos. Este algoritmo, a pontuação de risco de demência, pode ajudar a identificar os pacientes com risco muito baixo de condições, como a doença de Alzheimer nos cuidados de saúde primários.
 

Os investigadores, liderados por Kate Walters, selecionaram aleatoriamente dados de 377 centros de saúde, registados na base de dados da Network Health Improvement (THIN, em inglês). Com base nos fatores de risco conhecidos de demência gravados na base de dados, os investigadores analisaram quatro variáveis como possíveis indicadores do risco de demência. Estas incluíram: medidas sociodemográficas como idade, sexo, privação social; medidas de saúde e estilo de vida, nomeadamente ingestão de álcool, índice de massa corporal, pressão arterial; diagnóstico médico, incluindo diabetes, doença cardíaca coronária e toma de medicação prescrita. Os investigadores verificaram se estas variáveis estavam associadas a um recente diagnóstico de demência, ao longo de um período de acompanhamento de cinco anos.
 

Para validar a precisão do algoritmo, foram selecionados 264.224 pacientes adicionais sem antecedentes de demência.
 

Os dois grupos de pacientes foram divididos em subgrupos de indivíduos com idades compreendidas entre os 60 e 79 anos e entre os 80 e os 95 anos. Esta divisão teve por base estudos anteriores que sugeriram que o risco de demência aumenta acentuadamente aos 80 anos, bem como numa diferença observada na distribuição dos fatores de risco nas pessoas com idades entre os 60 e os 79 anos e indivíduos mais velhos.
 

O estudo apurou que o algoritmo funcionou bem na previsão do risco de demência para os indivíduos entre os 60 e os 79, mas não para os com idades compreendidas entre os 80 e os 95 anos. Estes resultados sugerem que os modelos de avaliação de risco da demência que utilizam os fatores de risco tradicionais não funcionam bem para os indivíduos com mais de 80 anos, sendo por isso necessário a utilização de uma abordagem alternativa.
 

Uma vez que o modelo atual se baseou nos dados dos pacientes do Reino Unido, os investigadores sugerem que são necessários testes adicionais para validar o desempenho desta pontuação de risco noutras populações.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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