Novo método diagnóstico permite deteção de patogéneos nos pulmões

Estudo publicado na “EBioMedicine”

28 junho 2016
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Um novo método diagnóstico molecular é capaz de detetar muito mais rápido um agente patogénico capaz de causar infeções pulmonares ou tuberculose do que o método de cultura, utilizado atualmente, revela um estudo publicado na revista científica “EBioMedicine”.
 

As micobactérias são responsáveis por várias doenças. O Myctobacterium tuberculosis, por exemplo, é o agente causador de tuberculose, responsável pela morte de cerca de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo em 2014. As micobactérias não tuberculosas podem desencadear infeções pulmonares, infeções nos nódulos linfáticos e doenças de pele nos pacientes com sistema imunitário comprometido.
 

Uma equipa de cientistas da Universidade de Zurique, na Alemanha e do Centro Nacional de Micobactérias usaram um estudo de larga escala com mais de 6.800 amostras de pacientes para analisar o sucesso da utilização de métodos de diagnóstico moleculares para a deteção de agentes patogénicos microbacterianos.
 

Visto que as microbactérias se desenvolvem a um ritmo muito lento, o método mais comum atualmente – cultura – é realizado apenas em laboratórios especializados e demora várias semanas. Além disso, o teste de suscetibilidade subsequente, utilizado para determinar a medicação mais adequada, demora ainda mais uma ou duas semanas.
 

“Para pacientes e médicos, este longo período de espera é um teste desnecessário à sua paciência. Em comparação, com os métodos de deteção molecular, a maioria dos pacientes fica a saber os resultados dentro de um ou dois dias se têm uma infeção com um agente patogénico tuberculose ou com microbactérias não tuberculosas”, refere, em comunicado da universidade, um dos utores do estudo, Peter Keller
 

Para o estudo, os cientistas desenvolveram um algoritmo de diagnóstico para detetar micobactérias diretamente a partir de uma amostra do paciente, utilizando uma análise genética. Amostras de pacientes foram continuamente analisadas durante três anos e os resultados deste novo método foram comparados com os da cultura bacteriana em mais de três mil pacientes. Os achados deste estudo demonstraram que os métodos moleculares apresentaram resultados tão fidedignos como as técnicas de cultura.
 

Além disso, de acordo com os autores da investigação, a análise molecular permite ainda detetar micobactérias não tuberculosas diretamente a partir da amostra do paciente em poucas horas. Isto significa que os médicos poderão aplicar as medidas terapêuticas mais adequadas o mais rapidamente possível. Por outro lado, se um paciente tiver uma infeção provocada pelo Mycobacterium tuberculosis, será necessário realizar uma análise adicional para testar a suscetibilidade aos principais fármacos utlizados contra este agente. “Isto demonstrou também que a fiabilidade dos métodos moleculares é capaz de prever os resultados dos métodos de cultura. É possível obter certezas muito mais cedo sobre se a terapêutica com medicamentos padrão terá boas hipóteses de sucesso”, concluiu Keller.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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