Novo método de rastreio de cancro do ovário mais eficaz

Estudo publicado no “Journal of Clinical Oncology”

07 maio 2015
  |  Partilhar:
Um novo método de rastreio do cancro do ovário consegue detetar o dobro de casos da doença em comparação com os métodos tradicionais.
 
O novo método que foi posto à prova por uma equipa de investigadores da Universidade College London, Reino Unido, implica a interpretação de alterações dos níveis do biomarcador CA125 no sangue, a qual está associada ao cancro do ovário, ao longo do tempo.
 
Os métodos atuais usam um valor fixo dos níveis de CA125, com base no qual é calculado o risco de desenvolver cancro do ovário. Os métodos convencionais estipulam assim os mesmos limites, de forma indiferenciada para todas as mulheres. 
 
Este novo método tem em conta que os níveis basais de CA125 de cada mulher podem ser diferentes e interpretam a evolução dos níveis de CA125 ao longo do tempo: mulheres com níveis abaixo do atual ponto de corte do biomarcador poderão desenvolver a doença e mulheres com níveis altos de CA125 poderão não desenvolver a doença. 
 
Para o estudo, a equipa contou com a participação de 46.237 mulheres que receberam rastreios multimodais anuais. Foram testados os níveis de CA125 de cada mulher, anualmente, durante 14 anos. 
 
Os investigadores calcularam o risco de cancro dos ovários das participantes através de um algoritmo baseado na idade, nos níveis basais de CA125 e na forma como esses níveis se alteraram ao longo do tempo. O risco de cancro dos ovários foi depois calculado através da comparação de padrões a casos e controlo de cancro conhecidos.
 
Foi observado que 640 das mulheres que estavam a receber rastreios multimodais foram submetidas a cirurgia por suspeita de cancro. Dessas mulheres, 133 mulheres tiveram cancro do ovário epitelial invasivo e 22 foram diagnosticadas com cancro do ovário epitelial no espaço de um ano após o último rastreio anual. 
 
O novo método conseguiu identificar cancro em 86% das mulheres com cancro do ovário epitelial invasivo, enquanto métodos convencionais usados em ensaios anteriores e na prática clínica apenas conseguiram detetar a doença em 41% e 48% dos casos, respetivamente.
 
Os investigadores aguardam os resultados do impacto do rastreio sobre as mortes por cancro do ovário ainda em 2015.
 
Segundo Usha Menon, coordenadora do ensaio clínico, “estes resultados são muito encorajadores”, pois demonstram que “o uso de uma estratégia de deteção precoce baseada no perfil individual de CA125 melhorou de forma significativa a deteção do cancro em comparação com o que observámos em ensaios de rastreio prévios”.
 
James Brenton, especialista em cancro do ovário considera que é fundamental encontrar meios de diagnóstico do cancro numa fase mais precoce: “um teste ao sangue para detetar mulheres em risco de cancro do ovário é uma possibilidade interessante, mas este trabalho precisa ainda de ser testado em mulheres para ver se se consegue salvar vidas”, afirma.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.