Novo método de diagnóstico do cancro da próstata

Descoberta tem o potencial de revolucionar o tratamento da doença

17 outubro 2002
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Investigadores norte-americanos estão a trabalhar num novo método de diagnóstico do cancro da próstata, o cancro que mais atinge os homens portugueses.
 

 

"O cancro da próstata já é o primeiro cancro entre os homens portugueses", afirmou, em declarações à Agência Lusa, Paulo Pinheiro, do Registo Oncológico Regional do Sul (ROR-Sul) do Instituto Português de Oncologia (IPO).
 

 

Em Portugal são detectados mais de 3.000 novos casos de cancro da próstata por ano, segundo dados do ROR-sul.
 

"Entre 1996 e 1998, o risco de morrer de cancro da próstata em Portugal era de 3 por cento. Ou seja, em cada cem mortes três deviam-se a este tipo de tumor", explicou o investigador.
 

 

Agora, num estudo publicado no jornal do Instituto Nacional do Cancro dos Estados Unidos, os cientistas explicam que podem determinar com um maior grau de segurança se um homem tem cancro da próstata testando vestígios de um padrão de proteínas que podem ser encontradas numa simples gota de sangue.
 

 

"Com mais investigação, esta descoberta tem o potencial de revolucionar o diagnóstico e tratamento do cancro da próstata", afirmou David Ornstein, um especialista neste tipo de tumores da Universidade da Carolina do Norte e co-autor do estudo. "Este trabalho pode ajudar a reduzir as biópsias desnecessárias", acrescentou.
 

 

Os homens com mais de 50 anos são habitualmente sujeitos a análises de sangue rotineiras para detectar anormalidades na próstata através do PSA (teste do antigénio prostático específico).
 

 

Na maioria dos casos, homens com resultados no PSA entre 4 e 10 são submetidos a biópsias para determinar se têm cancro da próstata.
 

 

No entanto, entre 70 e 80 por cento dos homens com testes de PSA anormais não têm cancro mas uma forma de tumor benigna.
 

 

Ou seja, milhares de homens são submetidos a biópsias que não seriam necessárias se os médicos conseguissem determinar com maior segurança através de um teste sanguíneo quando é que o cancro está presente.
 

 

Um sistema que mede precisamente um padrão de proteínas no sangue pode ser este teste, explicou Emanuel Petricoin, investigador na Food And Drug Adminsitration (FDA) e autor principal do estudo.
 

 

No estudo, os investigadores analisaram primeiro o sangue de homens com cancros da próstata e de homens sem a doença.
 

 

Utilizando um computador que consegue distinguir padrões, os cientistas desenvolveram um programa que consegue identificar diferenças mínimas nos tipos e quantidades das proteínas no sangue.
 

 

Recorrendo a esta informação, os investigadores efectuaram então análises de sangue aleatoriamente a vários homens, uns com cancro e outros sem.
 

 

Pediram depois ao computador que identificasse as amostras com padrões de proteínas pertencentes aos homens com cancro da próstata.
 

 

"O computador conseguiu determinar correctamente 95 por cento dos casos de cancro e 100 por cento dos que tinham uma condição benigna", sublinhou Petricoin.
 

Petricoin afirmou que este novo método de diagnóstico do cancro da próstata tem de ser sujeito a testes mais alargados antes de estar disponível para uma utilização generalizada.
 

 

Fonte: Lusa
 

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