Novo fármaco regenera tecidos danificados

Estudo publicado na “Science”

16 junho 2015
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Um novo fármaco foi capaz de reparar, em modelos animais, danos no cólon, fígado e medula óssea de forma tão eficaz que salvou a vida de ratinhos que de outra forma teriam morrido após um transplante de medula óssea, dá conta um estudo publicado na revista “Science”.


“Estamos muito entusiasmados. Estamos a desenvolver um fármaco que atua como uma vitamina para as células estaminais dos tecidos, estimulando a sua capacidade de reparar os tecidos mais rapidamente. O fármaco cura danos em múltiplos tecidos, o que sugere que pode ter aplicações no tratamento de várias doenças”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Sanford Markowitz.


Os investigadores da Case Western Reserve e da Universidade do Sudoeste do Texas, nos EUA, esperam em breve utilizar o fármaco, denominado por SW033291, em pacientes humanos. Com base nos resultados obtidos em animais, os investigadores vão-se focar primeiro em indivíduos que estão a receber transplantes de medula óssea, pacientes com colite ulcerosa e indivíduos submetidos a cirurgia ao fígado. O objetivo final é o mesmo, ou seja, aumentar drasticamente as possibilidades de uma recuperação mais rápida e com sucesso.


A chave para o potencial sucesso deste fármaco envolve uma molécula produzida pelo organismo, a prostaglandina E2 (PGE2), que promove a proliferação de muitos tipos de células estaminais. Estudos anteriores demonstraram que um produto genético encontrado em todos os seres humanos, 15-PGDH, degrada e diminui a quantidade de PGE2 no organismo.


Após terem verificado que a inibição do 15-PGDH aumentava a quantidade de PGE2 no organismo, os investigadores começaram a procurar uma forma de inativar o 15-PGDH. Foram analisadas 230.000 substâncias químicas e encontrou-se uma que inativava o 15-PGDH.


Várias experiências demonstraram que o SW033291 era capaz de inativar o 15-PGDH num tubo de ensaio, no interior das células, e mais relevante ainda, quando injetado em modelos animais. Verificou-se que na ausência do SW033291, os animais, que tinham recebido doses letais de radiação e um transplante parcial da medula óssea, teriam morrido.


Estudos mais detalhados demonstraram que nos ratinhos transplantados, a administração de SW033291 conduziu a uma recuperação mais rápida do número total de células sanguíneas, comparativamente com aqueles que não foram submetidos ao tratamento. Verificou-se ainda que a administração do SW033291 levou a uma recuperação mais rápida do número de neutrófilos, plaquetas e eritrócitos.


O estudo apurou ainda que quando o SW033291 aumenta o PGE2 na medula óssea, o organismo começa também a produzir outros materiais que as células estaminais da medula óssea necessitam para sobreviver. Foi ainda verificado que estes benefícios ocorriam na ausência de efeitos secundários, mesmo em doses bastante mais elevadas do que aquela que seriam necessárias para inibir o 15-PGDH.


Uma vez que a medula óssea, o cólon e o fígado são tecidos significativamente diferentes, os investigadores concluem que é possível que a via através da qual a SW033291 aumenta a regeneração do tecido funcione no tratamento de doenças que afetam outros tecidos no organismo.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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