Novo fármaco inteligente ataca apenas local da inflamação

Investigação divulgada no “Journal of Immunology”

07 agosto 2015
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Cientistas norte-americanos desenvolveram um fármaco “inteligente” que ataca apenas o local da inflamação, preservando a capacidade natural do organismo em combater infeções e reduzindo efeitos secundários.
 
Embora a maioria dos agentes anti-inflamatórios iniba o processo inflamatório, fazem-no de forma não orientada e em áreas que incluem locais de homeostase inflamatória normal e necessária.
 
A particularidade desta nova molécula anti-inflamatória reside no facto de que, quando é injetada, age como um fármaco não ativo. Somente quando chega a um local com inflamação excessiva é que esta é ativada. 
 
A mais-valia desta descoberta é realçada por Peleg Rider, do Departamento de Bioquímica Clínica e Farmacologia da Universidade Ben-Gurion de Negev, nos EUA, e um dos autores do estudo, ao considerar que se trata de um desenvolvimento importante “porque a inibição da inflamação de forma não específica reduz a capacidade natural de combater infeções e é um efeito secundário comum da terapêutica biológica anti-inflamatória”.
 
Quando é usado um agente não específico, um indivíduo que sofra de uma inflamação local poderá encontrar-se exposto a infeções oportunistas em locais distantes, tais como os pulmões, arriscando desenvolver tuberculose, por exemplo. Este risco encontra-se especialmente presente em pacientes com imunossupressão, assim como em pacientes mais velhos e naqueles que estejam a realizar quimioterapia.
 
De acordo com Rider, “a beleza desta invenção consiste na utilização de um código biológico natural já conhecido”, ou seja, “mimetizámos um processo natural que ocorre durante a inflamação”.
 
A molécula proteica é, na verdade, uma quimera (ou seja, uma molécula de ADN recombinado formada a partir de diferentes espécies) composta por dois domínios, ambos procedentes da família da potente citocina pró-inflamatória IL-1. A primeira parte da proteína mantém a parte funcional da molécula inativa, tal como ocorre nas células vivas normais, e encontra-se ligada a um potente inibidor natural da IL-1. Quando a molécula encontra enzimas inflamatórias, esta desagrega-se e a parte funcional é ativada.
 
Rider e seus colegas da Universidade do Colorado, nos EUA, usaram modelos de ratinho para demonstrar que os leucócitos, que se infiltram nos locais inflamados, ativam, de facto, a proteína quimérica, reduzindo, desta forma, a inflamação local. A ativação da proteína foi correlacionada com a quantidade de estímulo inflamatório.
 
“Então, surge um aspeto altamente relevante para a prática clínica. Após a resolução da inflamação, a ativação da proteína é também reduzida, evitando efeitos secundários”, esclareceu Rider.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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