Novo dispositivo identifica com precisão e em segundos o cancro

Estudo publicado na “Science Translational Medicine”

11 setembro 2017
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Uma equipa de cientistas e engenheiros da Universidade do Texas em Austin, EUA, inventou um instrumento que identifica rapidamente e com precisão tecido canceroso durante a cirurgia, fornecendo resultados em cerca de 10 segundos – 150 vezes mais rapidamente do que a tecnologia já existente. O “MasSpec Pen” é um instrumento de mão inovador que disponibiliza aos cirurgiões informação de diagnóstico precisa sobre qual o tecido que dever ser cortado ou preservado, ajudando a melhorar o tratamento e reduzindo as probabilidades de recidiva do cancro.
 
O método mais moderno de diagnóstico do cancro e de determinação das fronteiras entre cancro e tecido normal durante a cirurgia, denominado “Frozen Section Analysis” (análise de secção congelada), é lento e por vezes impreciso. Cada amostra demora 30 minutos ou mais a ser preparada e interpretada por um patologista, o que aumenta o risco de infeção e de efeitos negativos da anestesia. Para alguns tipos de cancro, a interpretação das secções congeladas pode ser difícil, produzindo resultados não fiáveis em 10 a 20% dos casos.
 
Em testes com tecidos retirados de 253 doentes com cancro, o MasSpec Pen demorou cerca de 10 segundos a disponibilizar o diagnóstico e teve uma precisão de 96%. A tecnologia também foi capaz de detetar cancro em áreas marginais entre os tecidos normais e cancerosos que apresentavam uma composição celular mista. A equipa espera começar os testes desta nova tecnologia durante cirurgias oncológicas em 2018. 
 
“Sempre que podemos oferecer ao doente uma cirurgia mais precisa, mais rápida ou mais segura, queremos fazê-lo”, afirma James Suliburk, chefe da cirurgia endócrina na Faculdade de Medicina de Baylor, EUA, e colaborador deste projeto. “Esta tecnologia faz essas três coisas. Ela permite-nos ser muito mais precisos em relação ao tecido que removemos e àquele que deixamos ficar”.
 
Apesar de ser muito importante retirar o máximo possível de cancro para aumentar a probabilidade de sobrevivência do doente, retirar demasiado tecido saudável também pode ter consequências profundamente negativas para os doentes. Por exemplo, os doentes com cancro da mama podem ter um risco mais elevado de efeitos secundários dolorosos e lesões nos nervos, para além do impacto estético. Os doentes com cancro da tiroide podem perder a capacidade de falar ou de regular os níveis de cálcio no organismo, que são importante para a função muscular e neural. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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