Novo dispositivo conta leucócitos através da pele

Estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts

05 outubro 2015
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Uma equipa internacional de investigadores está a desenvolver uma nova forma de contar um tipo de células sanguíneas, os leucócitos, sem necessidade de recorrer a amostras de sangue, através da aplicação de um pequeno dispositivo na ponta do dedo.
 
 
O dispositivo combina um sensor ótico com um algoritmo e foi especialmente projetado para ser utilizado em pacientes submetidos à quimioterapia, permitindo-lhes conhecer os níveis do sistema imunitário em tempo real. Este aparelho também poderá ser utilizado para deteção de infeções graves.
 
“Este dispositivo vai permitir que os leucócitos sejam medidos de modo simples e indolor. Da mesma forma que os diabéticos têm atualmente um glucómetro para verificar os níveis de glucose, os doentes submetidos à quimioterapia vão ser capazes de, no futuro, utilizar um leucómetro para estimarem o estado do sistema imunitário”, revelou, em comunicado de imprensa Carlos Castro, engenheiro biomédico no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
 
O investigador explica que esta tecnologia abre a possibilidade de personalizar o tratamento quimioterápico de acordo com a resposta imunológica de cada paciente. Especialmente, no caso de pacientes com linfomas e leucemia, as doses de tratamento poderiam ser maximizadas para cada indivíduo sem comprometimento do sistema imunitário. A eficácia do tratamento poderia ser melhorada e o risco de sofrer infeções graves diminuiria.
 
A ideia surgiu durante uma visita ao hospital de Gregorio Marañón, em Espanha, na qual os investigadores observaram que a imunossupressão (níveis baixos de leucócitos) é o principal efeito secundário da quimioterapia, que pode conduzir a possíveis infeções, hospitalizações, atrasos de tratamento e curta esperança de vida.
 
Os investigadores explicam que o dispositivo é colocado no dedo dos pacientes, de uma forma semelhante à qual os oxímetros são utilizados em hospitais para medir os níveis de oxigénio no sangue. Com uma pequena lente, o sistema captura imagens de capilares muito perto da superfície do leito ungueal.
 
Quando iluminado a determinadas frequências, a luz é absorvida pela hemoglobina nos eritrócitos, um efeito que não ocorre com os leucócitos. Isto significa que os leucócitos aparecem como pequenas partículas transparentes que se deslocam no interior do capilar.
 
Posteriormente os algoritmos de processamento de imagem reconhecem estes eventos e contam os leucócitos, fornecendo uma estimativa da sua concentração no sangue. Na opinião de Gregorio Marañón este dispositivo de fácil utilização e portátil vai permitir que os pacientes façam, no futuro, este tipo de medições em casa. Não sendo assim necessário deslocar-se até um hospital ou clínica.
 
"Nas áreas rurais onde o acesso aos centros de saúde é limitado, ou em países em desenvolvimento, isto é uma enorme vantagem. Também seria possível realizar medições de forma contínua, abrindo-se opções de tratamento que anteriormente não eram possíveis", disse o investigador.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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