Novo código de ética médica

Médicos europeus e norte-americanos actualizam Juramento de Hipócrates

07 fevereiro 2002
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Com o objectivo de ajudar a satisfazer as necessidades dos doentes do século XXI, médicos europeus e norte-americanos apresentaram, esta semana, um novo código de ética e deontologia profissional que actualiza o Juramento de Hipócrates, de quase 2.500 anos.
 

 

O novo código proposto tenta restabelecer a confiança do público, em particular dos pacientes, junto dos médicos, que na Europa e nos EUA enfrentam acusações de má conduta, além de ajudar os profissionais a lidar com os problemas éticos do mundo moderno.
 

 

Num artigo publicado em conjunto com o novo código nas revistas «The Lancet» e Annals of Internal Medicine, George Alberti, presidente da Real Associação de Médicos de Londres, descreveu o código como um guia para a prática médica moderna. "A opinião pública, o governo e os meios de comunicação questionam cada vez mais o papel do profissional de saúde", disse Alberti, acrescetando, por isso, ser necessário re-definir «o que significa ser um profissional".
 

 

A autonomia do paciente, o trabalho em equipa e o respeito para com outros profissionais são factores relevantes para os médicos na actualidade, mas, na verdade, não o eram nos tempos de Hipócrates, o pai da medicina, que nasceu na Grécia por volta do ano 460 a.C.
 

 

O código de ética atribuído ao médico grego foi utilizado durante séculos como guia de conduta para a profissão. O texto clássico determina: "Exercerás a tua arte somente para a cura dos enfermos e não lhes darás remédios nem realizarás cirurgias com más intenções".
 

 

O novo código proposto estabelece claramente as responsabilidades médicas para garantir a atenção do paciente. Os médicos passam a aceitar o compromisso de melhorar o acesso e a qualidade da atenção aos pacientes, bem como manter as relações adequadas, ser honesto para com os doentes e respeitar a confidencialidade da informação.
 

 

A proposta apela aos médicos para que mantenham alto o nível de competência profissional, para que se actualizem com os avanços científicos e evitem conflitos de interesses.
 

 

Reacções Positivas
 

 

A Associação de Pacientes, uma entidade beneficente britânica que trabalha para melhorar os cuidados médicos, recebeu bem a medida mas avisou, desde já, que o novo código deve ser implementado de forma correcta.
 

 

"Esta é uma medida importante para recuperar a confiança dos pacientes que nos últimos tempos tem sido abalada neste país (Grã-Bretanha)", disse Mike Stone, chefe-executivo da associação. "Qualquer coisa que puder ser feita para melhorar a confiança é bem recebida."
 

 

Também Christopher Davidson, secretário-geral da Federação Europeia de Medicina Interna, afirmou que o novo código de ética é um marco para melhorar a relação entre o médico e o doente. "Estamos a preparar a sua implementação no continente europeu. Este conjunto de valores profissionais autorizam tanto os médicos quanto os pacientes a enfrentar as situações do século XXI", sublinhou o responsável em comunicado de imprensa.
 

 

O documento é resultado de uma colaboração entre médicos britânicos e norte-americanos. Lançado pelo Conselho Americano de Medicina Interna (Abim), Associação Americana de Médicos-Sociedade Americana de Medicina Interna (ACP-Asim) e Federação Europeia de Medicina Interna (Efim), o novo código determina claramente as responsabilidades para garantir o atendimento ao paciente.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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