Novo centro de saúde expõe utentes à poluição
14 janeiro 2002
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O novo Centro de Saúde de Torres Vedras está pronto, mas de acordo com fontes autárquicas e sanitárias locais, a saúde dos 25 mil utentes pode estar ameaçada devido à má qualidade do ar devido à proximidade de uma indústria poluente.
 

 

Os problemas ambientais levantados por aquela indústria situada há 40 anos à entrada da cidade, a Fundição de Dois Portos, não são novos. Deles se têm queixado os moradores dos prédios próximos, mas mesmo assim o Ministério da Saúde avançou com a construção do centro de saúde no local.
 

 

Agora, as autoridades que permitiram a construção da unidade de saúde tentam convencer a empresa a colocar filtros para disseminar as perigosas partículas de chumbo libertadas pelas chaminés da fábrica. Ao mesmo tempo, a câmara municipal, que cedeu os terrenos para a construção do centro de saúde, obra que custou 400 mil contos, tenta transferir a fábrica para outra zona.
 

 

Os primeiros sinais de preocupação com a poluição começaram há seis anos, quando o município autorizou a construção de prédios perto da fábrica. Desde então, as queixas dos moradores não param: ninguém pode ter janelas abertas nem estender roupa.
 

 

Já depois de tomada a decisão de construir o centro, a Sub-Região de Saúde de Lisboa mandou fazer um estudo à qualidade do ar. "O estudo concluiu que os níveis de chumbo no ar eram superiores aos permitidos por lei", afirmou à agência Lusa Mário Castro, adjunto do delegado regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. "Foi pedido à empresa que coloque filtros para fazer baixar os níveis de chumbo do ar, porque se o tempo de exposição e a concentração de fumo forem elevados causa problemas de saúde", disse.
 

 

Para a delegada de Saúde de Torres Vedras, Clara Garcia, "o desejável era que a indústria fosse implantada numa zona industrial". Mas, adiantou, "os ventos dominantes não deverão afectar o futuro centro de saúde". A delegada espera que a fundição coloque este ano os equipamentos para reduzir a poluição e fazer nova avaliação ambiental.
 

 

Depois da aprovação da construção do novo centro, o presidente da câmara, Jacinto Leandro, propôs, no âmbito da revisão do Plano Director Municipal (pdm), que a zona ocupada pela fundição passasse de industrial a urbana. Jacinto Leandro quer reunir-se com a administração da empresa para lhe pedir que inicie o processo de transferência para a nova zona industrial criada pelo município, uma vez que a obra do centro de saúde está praticamente concluída, faltando apenas o mobiliário.
 

 

"A câmara propôs na revisão do PDM que os terrenos ocupados pela fundição passem a urbanizáveis, o que os torna valiosos, possibilitando a transferência da empresa", afirmou Jacinto Leandro. A Lusa tentou contactar a administração da fundição, mas ninguém se mostrou disponível.
 

 

Fonte: Diário de Notícias

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