Novo biomaterial desenvolvido para preparação de cartilagem

Estudo publicado na “Science Translational Medicine”

17 janeiro 2013
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Uma equipa de investigadores desenvolveu uma nova técnica de reparação de cartilagem, que promove o crescimento de tecido novo saudável, dá conta um estudo publicado na “Science Translational Medicine”.
 

A equipa de investigadores do Translational Tissue Engineering Center (TTEC) da Johns Hopkins University School of Medicine, EUA, inseriu, após intervenção cirúrgica em cartilagem danificada, uma estrutura comparável a um andaime de “hidrogel” na lesão, que funciona como suporte e fomenta o processo de recuperação.
 

“O nosso estudo-piloto indica que o novo implante funciona tão bem em pacientes como em laboratório. Sendo assim, esperamos que se torne parte da rotina dos cuidados e que melhore a recuperação”, afirmou a autora do estudo, Jennifer Elisseeff.
 

A cartilagem, que é um material resistente mas flexível, dá forma às orelhas e nariz e reveste a superfície das articulações permitindo que estas se movimentem com facilidade. A cartilagem pode ser danificada devido a lesões, doenças ou genes alterados.
 

A microfratura, uma técnica normalmente utilizada na reparação da cartilagem, consiste na punção de buracos minúsculos num osso próximo da cartilagem danificada. Estes buracos estimulam as células estaminais especializadas do próprio paciente a emergirem da medula óssea, formando nova cartilagem acima do osso.
 

No entanto, quando a cartilagem é afetada por lesões, esta técnica muitas vezes não é bem-sucedida na estimulação do crescimento de nova cartilagem ou conduz à produção de nova cartilagem menos resistente.
 

Mediante esta problemática, a equipa de investigadores de engenharia de tecidos conjeturou sobre a necessidade de construírem uma estrutura que favorecesse o crescimento das células estaminais especializadas. Após terem experimentado vários materiais, a equipa conseguiu desenvolver um hidrogel e um adesivo que o une ao osso.
 

O hidrogel desenvolvido foi implantado em 15 pacientes submetidos a intervenções cirúrgicas de microfratura padrão. Outros três pacientes foram somente submetidos a microfratura para efeitos de comparação.
 

Seis meses após as intervenções, a equipa observou que nos pacientes que tinham recebido os implantes, além de não terem sentido grandes problemas com o implante, a produção de cartilagem cobria uma média de 86% da lesão no joelho, enquanto nos pacientes que tinham sido submetidos apenas à microfratura a reposição de tecido perfazia uma média de 64%. Os pacientes com o implante tinham menos dores no joelho seis meses após a intervenção cirúrgica.
 

A equipa encontra-se agora a desenvolver um implante de próxima geração, que combina o hidrogel e o adesivo num material único. Entretanto, encontram-se também a desenvolver tecnologias de lubrificação das articulações e de redução da inflamação.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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