Novo biofilme protege implantes de infeções

Estudo publicado na revista “Advanced Healthcare Materials”

28 setembro 2015
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Investigadores franceses desenvolveram um biofilme antibacteriano que é capaz de proteger os implantes médicos (como pacemakers e próteses) de infeções, dá conta um estudo publicado na revista “Advanced Healthcare Materials”.
 
Os dipositivos médicos implantáveis são uma superfície ideal para as colónias microbianas se desenvolverem, o que pode conduzir à infeção, inflamação e rejeição do implante. Atualmente, os antibióticos são utilizados para reduzir o risco deste tipo de infeções, mas com o aumento das bactérias resistentes aos antibióticos é necessário encontrar alternativas mais eficazes.  
 
O biofilme desenvolvido pelos investigadores do Instituto Nacional de Saúde e da Investigação Médica (Inserm), França, é extremamente fino e revestido de prata. Este tem propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias, podendo ser utilizado para revestir implantes de titânio, incluindo ancas novas, próteses e pacemakers e outros dispositivos médicos que podem causar infeção, como os cateteres.
 
Após terem realizado vários testes, os investigadores verificaram que o novo biofilme impedia o desenvolvimento das infeções bacterianas e fúngicas mais comuns, como as provocadas pelo Staphylococcus aureus, pela Candida albicans ou pelo Aspegillus fumigatus. Por outro lado, verificou-se que este era também capaz de reduzir a inflamação. Os investigadores constataram especificamente que quando um implante foi revestido com este novo biofilme e colocado em contacto com o sangue humano, impediu que as células do sistema imunitário desencadeassem uma resposta inflamatória.
 
Os investigadores, liderados por Philippe Lavalle, explicam que apesar de o biofilme ter várias camadas, a sua espessura é de poucos nanómetros, sendo por isso invisível ao olho nu. Este contem duas substâncias: a poliarginina e ácido hialurónico.
 
A poliarginina impede a ocorrência da resposta anti-inflamatória por parte do sistema imunológico e o ácido hialurónico, presente naturalmente no organismo, sendo por isso compatível, inibe o crescimento bacteriano.
 
O biofilme tem também incorporados peptídeos antimicrobianos naturais, incluindo catestatina. Estes peptídeos para além de serem eficazes contra os microrganismos não são tóxicos para o organismo. O facto de ser revestido com prata também ajuda a prolongar a sua atividade antimicrobiana. 
 
Os investigadores esperam que este novo biofilme possa estar disponível dentro de poucos anos. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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