Novo aparelho protetor do cérebro testado em intervenções cardíacas

Resultados preliminares apresentados ao Colégio Americano de Cardiologia

18 março 2015
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Investigadores de uma equipa multinacional testaram um novo aparelho que reduz o risco de acidente vascular cerebral (AVC) e declínio cognitivo em pacientes submetidos a cirurgia de substituição de válvula cardíaca. Os resultados deste ensaio preliminar foram apresentados durante a 64ª Sessão Científica Anual do Colégio Americano de Cardiologia, que teve lugar em San Diego, EUA.
 
Uma das principais complicações decorrentes da substituição transcateter da válvula aórtica (STVA), uma intervenção minimamente invasiva para reparar a válvula aórtica sem necessidade de recorrer a cirurgia, é o AVC. Cerca de 7% de pacientes com STVA sofrem um AVC em resultado do desprendimento de êmbolos ou de outro material, como placa, que é transportado no sangue do coração até ao cérebro durante a intervenção valvular.
 
Liderados por Lansky e Andreas Baumbach, do Instituto do Coração de Bristol, Reino Unido, a equipa de investigadores realizou um ensaio preliminar do TriGuard, um aparelho que é colocado no arco aórtico durante a STVA. O aparelho possui um filtro em rede que cobre os três principais vasos sanguíneos cerebrais, evitando a libertação de êmbolos da aorta para o cérebro.
 
O ensaio exploratório aleatorizado, realizado em diferentes centros na Europa e em Israel, contou com a participação de 83 indivíduos submetidos a STVA com e sem proteção TriGuard. 
 
Os pacientes com proteção apresentaram menos lesões isquémicas cerebrais, assim como lesões de menor dimensão. As lesões cerebrais aumentam o risco de demência e AVC.
 
“Um dos maiores achados foi ter demonstrado, pela primeira vez, que com proteção, mais 55% dos pacientes apresentaram cérebros completamente limpos – isto é, sem qualquer tipo de lesão isquémica”, revelou Lansky. 
 
O ensaio incluiu ainda uma avaliação do impacto do TriGuard em fatores cognitivos, como a linguagem, a memória, a atenção ou a orientação, através da utilização da Avaliação Cognitiva Montreal (MoCA em inglês). “Independentemente de analisarmos os resultados da MoCA, da memória de curto prazo ou da memória de longo prazo, conseguimos ver uma melhoria da função cognitiva logo desde a alta hospitalar, entre os pacientes protegidos, quando comparados com os do grupo controlo”, explicou a investigadora.
 
Os achados preliminares deste estudo irão formar a base para a realização de ensaios clínicos aleatorizados conclusivos, segundo os autores do estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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