Novas pistas para tratamento da cirrose

Pacientes com cirrose possuem níveis elevados de anandamina

04 julho 2001
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Cientistas dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos acreditam ter encontrado uma maneira de controlar a queda da tensão arterial observada em pacientes que enfrentam os últimos estágios de cirrose, uma degeneração crónica do fígado causada pelo grave abuso de álcool ou infecção viral.
 

 

 

Os níveis elevados de um composto que “habita” no organismo estão associados à dilatação dos vasos sanguíneos. E é este composto que causa a hipotensão - tensão arterial baixa, segundo os resultados de um estudo elaborado por investigadores do Instituto Nacional sobre Abuso do Álcool e Alcoolismo.
 

 

 

Na fase de experimentação em animais, a equipa liderada por George Kunos descobriu o composto que causa hipotensão: é um canabinóide -- uma categoria de moléculas semelhantes à marijuana que são normalmente encontradas no corpo -- conhecido como anandamida.
 

 

 

Além de ter sido testado em ratos, os investigadores observaram sangue de cinco voluntários saudáveis e seis pacientes com cirrose. Descobriram então que os doentes possuíam um nível de anandamida 15 vezes mais alto do que as pessoas saudáveis.
 

 

 

Em ratos com sintomas de cirrose, os cientistas usaram uma droga denominada SR141716A para bloquear os receptores do canabinóide que normalmente estão ligados à anandamida. As conclusões apontaram que a droga poderia resolver o problema da tensão baixa em animais.
 

 

 

Nos estágios avançados da doença, as cicatrizes do fígado criam um tecido fibroso que impede a circulação do sangue no órgão. Ao mesmo tempo, os doentes apresentam uma dilatação dos vasos sanguíneos, os quais resultam na queda da tensão arterial em todo o corpo, bem como num aumento do fluxo sanguíneo para o fígado.
 

 

 

Ainda não está claro, no entanto, se o bloqueio dos receptores do canabinóide em humanos é eficaz. “Mas mesmo que isso aconteça, este facto não vai acabar com a doença”, refere Kunos.
 

 

 

O tratamento não vai curar as pessoas com cirrose, mas poderá reduzir a incidência de complicações em pacientes que aguardam por um transplante de fígado, apontou o investigador.
 

 

 

Adaptado por: Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Nature
 

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