Novas pistas para tratamento da asma e da doença pulmonar obstrutiva crónica

Investigação divulgada na publicação científica “eLife”

20 março 2015
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Um novo estudo desenvolvido por investigadores de Escola de Medicina da Universidade de Washington, EUA, aponta para novas pistas com potencial para agir contra a produção excessiva de muco que dificulta a respiração e está presente em doenças, como a asma e a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).
 
“O novo estudo lança as bases para o desenvolvimento de terapias para doenças como a asma, a DPOC, a fibrose cística e até mesmo alguns tipos de cancro”, revela o autor principal, Thomas J. Brett. “Além disso, resolve também um mistério com 20 anos acerca do papel de uma proteína que tem sido associada a estas doenças há bastante tempo”.
 
A proteína CLCA1 foi identificada há cerca de duas décadas e considerada um canal de iões, ou seja, uma pequena abertura na membrana das células que permitia que partículas carregadas fluíssem para dentro e para fora da célula. Além disso, esta proteína foi ainda considerada um canal de cloro por aparentar transportar iões de cloro através da membrana da célula. Em geral, a movimentação de diferentes iões para dentro e para fora das células orienta muitos processos importantes, desde a produção de muco, ao ritmo cardíaco até ao funcionamento do cérebro.
 
Níveis elevados de CLCA1 nas células que revestem as vias aéreas há muito que têm sido associados a uma produção excessiva de muco. 
 
“Quando as células expressam a CLCA1, produzem correntes de cloro. Contudo, à medida que passámos a compreender melhor as estruturas tridimensionais das proteínas, os investigadores da área começaram a aperceber-se de que as proteínas CLCA não poderiam ser canais. Portanto, surgiu a questão sobre de que forma ativam estas correntes se não são canais?”
 
Há sete anos foi descoberta uma proteína em mamíferos que demonstrou desempenhar o papel de canal. A TMEM16A é um canal omnipresente nas células que revestem as vias aéreas. Níveis demasiado elevados de TMEM16A, tais como de CLCA1, foram igualmente associados à produção excessiva de muco típica das doenças das vias respiratórias, incluindo a asma e a DPOC.
 
Este novo estudo relacionou estas duas proteínas, demonstrando que o incremento da expressão de CLCA1 aumenta o número de canais TMEM16A presentes nas células vizinhas.
 
“Não achamos que a CLCA1 abra de facto o canal”, declara Thomas J. Brett. “Aliás, o canal pode funcionar sem a CLCA1. Nós achamos simplesmente que esta mantém o canal na superfície das células durante um período mais alargado de tempo. O motivo pelo qual existe mais corrente é porque existem mais canais. Há simplesmente mais orifícios por onde os iões podem atravessar. Este é um achado único. Não conhecemos nenhum outro exemplo de uma interação entre uma proteína e um canal como este”, acrescenta o investigador.
 
O estudo sugere ainda que poderá ser útil investigar as famílias mais alargadas destas duas proteínas. Se membros próximos das famílias destas proteínas interagirem entre si, isto poderá expandir as implicações a doenças tão diversificadas como o cancro e doenças cardíacas, às quais tanto a TMEM16 como a CLCA já foram associadas.
 
Thomas J. Brett e a sua equipa continuam a investigar estas interações para descobrir mais acerca de que forma o aumento ou a diminuição da expressão da proteína ou do canal poderá influenciar as correntes e que impacto poderá ter nas doenças respiratórias.
 
“Em doenças que conduzam à produção de muito muco, poderá ser interessante conceber formas de bloquear estas correntes ou reduzi-las”, adiantou o investigador. “Por outro lado, estas correntes de canais poderão ter a capacidade de compensar o defeito genético na fibrose cística que dá origem a muco muito espesso e pegajoso. Neste caso, poderá ser interessante ativá-las”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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