Novas pistas para a criação de um contraceptivo unissexo
10 outubro 2001
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Investigadores norte-americanos descobriram uma proteína crucial para a mobilidade dos espermatozóides que poderá conduzir ao desenvolvimento de novos contraceptivos válidos para ambos os sexos, indica um estudo que a revista científica britânica Nature publica na edição de quinta-feira.
 

 

A equipa de David Clapham, da Escola Médica de Harvard, em Boston (Massachusetts), criou ratos modificados geneticamente desprovidos de um determinado gene, o CatSper, responsável pela produção de uma proteína que existe unicamente nos testículos, e que tem o seu equivalente no homem.
 

 

A proteína possibilita um fluxo de cálcio indispensável para assegurar aos espermatozóides a agilidade necessária para chegar até ao óvulo e fertilizá-lo.
 

 

O gene CatSper controla a passagem de iões (moléculas com carga eléctrica) pelo espermatozóide, elementos necessários para este transpor a barreira (membrana) que envolve o óvulo.
 

 

O Cat, do nome do gene, designa os catiões ou moléculas com carga positiva.
 

 

O esperma dos ratos aos quais faltava este gene revelou-se incapaz de fertilizar o óvulo in vitro.
 

 

Enquanto 81 por cento dos ovos foram fecundados por esperma normal, tal não se verificou com o esperma alterado.
 

 

 

Inibidor
 

 

A proteína Catsper está localizada no flagelo do espermatozóide adulto. O flagelo é uma espécie de cauda longa que lhe possibilita o movimento.
 

 

«O gene Catsper representa um excelente ponto de partida para o desenvolvimento de contraceptivos não-hormonais para homens e mulheres», indicaram os autores do estudo.
 

 

Um inibidor específico, um produto que bloqueie unicamente este gene, não deverá afectar outros órgãos ou tecidos do organismo (cérebro, coração, rins ou sistema imunitário), logo, os seus efeitos secundários serão provavelmente fracos ou inexistentes, segundo os investigadores.
 

 

Este gene constitui, ao mesmo tempo, um alvo do trabalho a realizar para a detecção e tratamento da infertilidade masculina, acrescentam.
 

 

Por outro lado, é ainda relatado que uma hormona feminina, a progesterona, activa a mobilidade dos espermatozóides, sendo interessante verificar que efeito terá na mobilidade do esperma deficiente dos ratos geneticamente modificados, sublinha David Garbers, especialista em biologia da reprodução em Dallas (no Instituto Médico Howard Hughes), num comentário que acompanha a apreciação crítica do trabalho.
 

 

Lusa
 

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